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O que causa infecção intestinal? Conheça os principais agentes e formas de transmissão
Publicado em 28/08/2026
Dor abdominal, diarreia, náusea, vômito e febre são sintomas que podem aparecer após uma infecção intestinal. O problema pode surgir depois de uma viagem, do consumo de um alimento contaminado ou até mesmo do contato próximo com uma pessoa infectada.
Embora seja frequentemente associada a alimentos estragados, a infecção intestinal pode ter diferentes causas. Vírus, bactérias e parasitas conseguem chegar ao organismo pela água, pelos alimentos, pelas mãos, por objetos contaminados e pelo contato com pessoas ou animais.
Mas, afinal, o que causa infecção intestinal e como esses agentes são transmitidos? Neste artigo, você conhecerá os principais microrganismos envolvidos, os fatores que aumentam o risco de contaminação e os cuidados que ajudam a prevenir o problema.
O que é uma infecção intestinal?
A infecção intestinal ocorre quando um microrganismo capaz de causar doença entra no organismo e afeta o trato gastrointestinal. Dependendo do agente, a inflamação pode atingir o estômago, o intestino delgado, o intestino grosso ou mais de uma dessas regiões.
Quando o estômago e o intestino são afetados, o quadro costuma ser chamado de gastroenterite. Já a enterite corresponde principalmente à inflamação do intestino delgado, enquanto a colite envolve o intestino grosso.
Apesar dessas diferenças, a expressão infecção intestinal é utilizada de maneira ampla para descrever diversas doenças infecciosas gastrointestinais, principalmente aquelas acompanhadas de diarreia, vômito e dor abdominal.
Segundo o Ministério da Saúde, as doenças diarreicas agudas podem ser causadas por bactérias, vírus e parasitas, como os protozoários. Esses agentes provocam alterações no trato gastrointestinal e podem levar à perda de água e sais minerais.
O que causa infecção intestinal?
A principal causa de infecção intestinal é a entrada de microrganismos patogênicos no organismo. Isso pode acontecer pela ingestão de água ou alimentos contaminados, pelo contato com pessoas ou animais infectados e pela manipulação de objetos ou superfícies contaminadas.
Os agentes mais associados às infecções intestinais são:
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vírus, como norovírus, rotavírus, adenovírus e astrovírus;
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bactérias, como Salmonella, Escherichia coli, Shigella, Campylobacter e Vibrio cholerae;
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parasitas, como Giardia duodenalis, Entamoeba histolytica e Cryptosporidium.
A forma como cada microrganismo afeta o intestino varia. Alguns invadem ou inflamam a mucosa intestinal. Outros produzem toxinas que alteram a absorção e a eliminação de água e eletrólitos, favorecendo o aparecimento de diarreia.
A intensidade do quadro depende de fatores como o agente envolvido, a quantidade de microrganismos ingeridos, a idade, o estado imunológico e as condições gerais de saúde da pessoa.
Quais vírus podem causar infecção intestinal?
Os vírus estão entre as causas mais frequentes de gastroenterite aguda. Como muitos deles se espalham facilmente entre as pessoas, podem provocar surtos em famílias, escolas, creches, hospitais e outros ambientes coletivos.
Norovírus
O norovírus é uma causa importante de gastroenterite em pessoas de todas as idades. Sua transmissão pode ocorrer pelo contato direto com alguém infectado, pela ingestão de alimentos ou água contaminados e pelo contato com objetos e superfícies onde existam partículas virais.
O quadro costuma começar de forma repentina e pode provocar diarreia, náusea, vômito, cólicas abdominais e mal-estar. Por ser altamente transmissível, o norovírus pode causar surtos em restaurantes, hotéis, hospitais, escolas, navios e outros locais com circulação intensa de pessoas.
Pessoas infectadas que manipulam alimentos sem higienizar adequadamente as mãos também podem participar da transmissão, mesmo quando apresentam sintomas leves ou ainda não perceberam que estão doentes.
Rotavírus
O rotavírus afeta principalmente crianças pequenas e pode provocar diarreia intensa, vômitos, febre e desidratação. O vírus é eliminado em grandes quantidades pelas fezes e se espalha principalmente pela via fecal-oral.
De acordo com o Ministério da Saúde, a transmissão pode acontecer de pessoa para pessoa, pelo consumo de água e alimentos contaminados e pelo contato com objetos ou superfícies contaminadas.
A vacinação contra o rotavírus faz parte do calendário infantil e contribui para a proteção contra as formas graves da doença. Como a vacina possui limites de idade para sua administração, o calendário deve ser acompanhado desde os primeiros meses de vida.
Adenovírus entérico
Alguns tipos de adenovírus podem infectar o trato gastrointestinal, especialmente durante a infância. A transmissão acontece principalmente pela via fecal-oral, incluindo o contato com mãos, objetos, água ou alimentos contaminados.
A infecção pode causar diarreia, febre, vômito e dor abdominal. Em alguns casos, os sintomas duram mais tempo do que aqueles provocados por outras gastroenterites virais.
Astrovírus
O astrovírus também está associado a casos de gastroenterite, sobretudo entre crianças pequenas, idosos e pessoas imunossuprimidas. A transmissão ocorre principalmente pela via fecal-oral.
Os sintomas costumam incluir diarreia aquosa, náusea, vômito, febre baixa e desconforto abdominal. Assim como outros vírus intestinais, o astrovírus pode se espalhar por água, alimentos, mãos e superfícies contaminadas.
Quais bactérias causam infecção intestinal?
As bactérias podem causar infecção ao invadir a mucosa intestinal, multiplicar-se no trato gastrointestinal ou produzir toxinas. A contaminação costuma estar relacionada ao preparo inadequado dos alimentos, à falta de higiene, ao consumo de produtos crus ou malcozidos e ao armazenamento em temperatura incorreta.
Salmonella
As bactérias do gênero Salmonella podem estar presentes em carnes, ovos, leite não pasteurizado e outros alimentos contaminados. A transmissão também pode ocorrer por contaminação cruzada, como ao utilizar a mesma faca ou tábua para cortar alimentos crus e preparados.
A salmonelose pode provocar diarreia, febre, náusea, vômito e dor abdominal. Crianças, idosos, gestantes e pessoas com o sistema imunológico comprometido apresentam maior risco de complicações.
A bactéria também pode ser transmitida pelo contato com alguns animais e com ambientes contaminados por suas fezes.
Escherichia coli
A Escherichia coli, também conhecida como E. coli, faz parte naturalmente da microbiota intestinal. Entretanto, algumas cepas possuem características capazes de causar doença.
A E. coli enterotoxigênica, conhecida pela sigla ETEC, está frequentemente associada à chamada diarreia do viajante. Sua transmissão ocorre principalmente pelo consumo de água ou alimentos contaminados.
Já as cepas produtoras de toxina Shiga podem causar diarreia com sangue e, em alguns casos, complicações renais graves. Essas infecções podem estar relacionadas ao consumo de carne crua ou malpassada, leite não pasteurizado, vegetais contaminados e água sem tratamento adequado.
O Ministério da Saúde destaca que a contaminação fecal da água e dos alimentos, além da contaminação cruzada durante o preparo está entre as vias importantes de transmissão dessas cepas.
Shigella
A Shigella é transmitida principalmente pela via fecal-oral. Uma pequena quantidade da bactéria pode ser suficiente para causar infecção, o que facilita sua disseminação em ambientes com contato próximo entre as pessoas.
A shigelose pode provocar febre, cólicas abdominais, diarreia e presença de sangue ou muco nas fezes. A transmissão está relacionada à higiene inadequada das mãos, ao contato com pessoas infectadas e ao consumo de água ou alimentos contaminados.
Campylobacter
A infecção por Campylobacter costuma estar relacionada ao consumo de carne de aves crua ou malcozida, leite não pasteurizado e água contaminada. O contato com animais infectados também pode representar uma forma de exposição.
Os sintomas podem incluir diarreia, dor abdominal, febre, náusea e, em alguns casos, sangue nas fezes.
Vibrio cholerae
Determinadas cepas de Vibrio cholerae produzem a toxina responsável pela cólera, uma infecção intestinal que pode causar diarreia aquosa intensa e rápida desidratação.
A transmissão ocorre pela via fecal-oral, principalmente por meio da ingestão de água ou alimentos contaminados. Segundo o Ministério da Saúde, a bactéria também pode estar associada a peixes, algas, crustáceos e moluscos consumidos crus ou malcozidos.
Embora muitas infecções sejam leves ou assintomáticas, as formas graves da cólera exigem atendimento rápido devido à grande perda de líquidos e eletrólitos.
Clostridioides difficile
A bactéria Clostridioides difficile pode causar inflamação do intestino grosso, principalmente após o uso de antibióticos. Esses medicamentos podem alterar a microbiota intestinal e permitir a multiplicação excessiva da bactéria.
A infecção é mais comum em pessoas hospitalizadas, idosos, pacientes imunossuprimidos e indivíduos que utilizaram antibióticos recentemente. Os esporos da bactéria podem permanecer em superfícies e ser transmitidos pelas mãos contaminadas.
Infecção bacteriana e intoxicação alimentar são a mesma coisa?
Nem sempre. A infecção intestinal acontece quando microrganismos vivos entram no organismo e afetam o trato gastrointestinal. Já a intoxicação alimentar pode ser causada pela ingestão de toxinas que estavam presentes no alimento antes mesmo do consumo.
Algumas bactérias, como determinadas cepas de Staphylococcus aureus e Bacillus cereus, conseguem produzir toxinas nos alimentos quando existem falhas de conservação, preparo ou armazenamento. Nesses casos, os sintomas podem começar rapidamente, com predomínio de náusea, vômito, cólicas e diarreia.
O termo doença transmitida por alimentos inclui tanto infecções quanto intoxicações. O Ministério da Saúde informa que existem mais de 250 tipos de doenças de transmissão hídrica e alimentar, provocadas por microrganismos, toxinas naturais ou substâncias químicas presentes na água e nos alimentos.
Quais parasitas podem causar infecção intestinal?
As infecções parasitárias são frequentemente associadas à falta de saneamento básico, ao consumo de água não tratada, à higiene inadequada dos alimentos e ao contato com fezes contaminadas.
Algumas parasitoses podem provocar sintomas mais prolongados do que as gastroenterites virais, mas a duração depende do parasita, da resposta do organismo e do tratamento realizado.
Giardia
A giardíase é causada pelo protozoário Giardia duodenalis, também chamado de Giardia lamblia. A transmissão ocorre pela ingestão de cistos presentes na água, nos alimentos, nas mãos ou em superfícies contaminadas.
A infecção pode causar diarreia, cólicas, gases, distensão abdominal, náusea e alterações na absorção de nutrientes. Em alguns casos, as fezes podem apresentar aspecto gorduroso e odor mais intenso.
Entre as possíveis fontes de transmissão também estão rios, lagos e piscinas contaminadas. Algumas pessoas não apresentam sintomas, mas ainda podem eliminar o parasita nas fezes.
Entamoeba histolytica
A Entamoeba histolytica é responsável pela amebíase. A transmissão ocorre principalmente pela ingestão de água ou alimentos contaminados com cistos do protozoário.
A doença pode permanecer assintomática ou causar diarreia, dor abdominal e presença de sangue ou muco nas fezes. Em situações menos frequentes, o parasita pode ultrapassar o intestino e atingir outros órgãos, especialmente o fígado.
Cryptosporidium
O Cryptosporidium pode ser transmitido por água contaminada, alimentos, contato entre pessoas e contato com animais infectados. O protozoário pode provocar diarreia aquosa, cólicas, náusea, fraqueza e perda de apetite.
A transmissão também pode acontecer em ambientes de recreação aquática contaminados. Embora muitas pessoas se recuperem, a infecção pode ser mais prolongada e grave em pacientes com a imunidade comprometida.
Como acontece a transmissão da infecção intestinal?
A transmissão varia de acordo com o agente, mas ocorre principalmente pelas vias oral e fecal-oral. Isso significa que partículas microscópicas presentes nas fezes de uma pessoa ou animal infectado podem chegar à boca de outra pessoa por diferentes meios.
Consumo de água contaminada
Água sem tratamento adequado pode conter vírus, bactérias e parasitas. A contaminação também pode acontecer durante enchentes, problemas no sistema de abastecimento ou armazenamento inadequado em caixas e recipientes.
Além de beber a água, o risco pode estar presente ao utilizá-la para fazer gelo, lavar alimentos, preparar refeições ou escovar os dentes.
Rios, lagos, piscinas e outras águas recreativas também podem transmitir determinados agentes quando estão contaminados e a água é ingerida acidentalmente.
Ingestão de alimentos contaminados
A contaminação pode ocorrer durante a produção, o transporte, o armazenamento ou o preparo dos alimentos. Carnes cruas, ovos, leite não pasteurizado, vegetais mal higienizados, pescados e frutos do mar estão entre as possíveis fontes de exposição.
Um alimento contaminado nem sempre apresenta mudança de cheiro, sabor ou aparência. Por isso, observar apenas suas características visíveis não é suficiente para garantir que seja seguro.
Contaminação cruzada
A contaminação cruzada acontece quando microrganismos passam de um alimento ou superfície para outro. Um exemplo é cortar carne crua e, sem higienizar corretamente a faca e a tábua, utilizar os mesmos utensílios para preparar uma salada.
Mãos, panos de cozinha, bancadas, recipientes e utensílios também podem transportar microrganismos entre alimentos crus e produtos prontos para consumo.
Manipulação inadequada de alimentos
Pessoas infectadas podem contaminar os alimentos durante o preparo, principalmente se não lavarem corretamente as mãos após usar o banheiro.
A transmissão também pode ocorrer a partir de pessoas assintomáticas, ou seja, que carregam e eliminam o microrganismo sem apresentar manifestações evidentes. Por esse motivo, os cuidados com a higiene devem ser mantidos mesmo na ausência de sintomas.
Contato direto entre pessoas
Uma pessoa infectada pode transmitir o agente ao não lavar adequadamente as mãos após usar o banheiro, trocar fraldas ou ajudar uma criança a se higienizar.
O risco de disseminação aumenta em ambientes coletivos, como creches, escolas, hospitais e instituições de longa permanência. O Ministério da Saúde também cita utensílios, acessórios de banheiro e outros objetos contaminados como possíveis meios indiretos de transmissão.
Contato com superfícies e objetos
Maçanetas, torneiras, brinquedos, celulares, utensílios de cozinha e superfícies de banheiro podem transportar microrganismos. A transmissão acontece quando a pessoa toca o objeto contaminado e depois leva as mãos à boca ou manipula alimentos.
Contato com animais
Alguns animais podem carregar bactérias e parasitas capazes de causar infecções intestinais em seres humanos, mesmo quando aparentam estar saudáveis.
O contato com fezes, gaiolas, recipientes de alimentação e ambientes frequentados por esses animais pode favorecer a transmissão. Lavar as mãos após tocar nos animais ou limpar seus espaços é uma medida importante de prevenção.
Quais fatores aumentam o risco de infecção intestinal?
Qualquer pessoa pode desenvolver uma infecção intestinal, mas determinadas situações aumentam a possibilidade de exposição ou de evolução para um quadro mais grave.
Falta de saneamento e acesso à água potável
Locais com tratamento inadequado de água e esgoto apresentam maior risco de circulação de agentes infecciosos. Enchentes também podem espalhar contaminantes fecais e comprometer fontes de abastecimento.
Viagens
Viajar para regiões onde o saneamento, a qualidade da água ou os padrões de higiene alimentar são diferentes pode aumentar o risco de infecção. A chamada diarreia do viajante costuma estar associada à ingestão de água ou alimentos contaminados.
Ambientes coletivos
Creches, escolas, hospitais, instituições de longa permanência e outros ambientes compartilhados facilitam a disseminação de determinados vírus, bactérias e parasitas.
Uso recente de antibióticos
Os antibióticos podem alterar a microbiota intestinal e, em determinadas situações, favorecer infecções oportunistas, como a causada por Clostridioides difficile.
Isso não significa que esses medicamentos devam ser evitados quando são necessários. O uso deve seguir a prescrição e o tempo de tratamento definidos pelo profissional de saúde.
Idade e condições de saúde
Crianças pequenas, idosos, gestantes e pessoas imunossuprimidas apresentam maior risco de complicações relacionadas às doenças transmitidas por água e alimentos, conforme destaca o Ministério da Saúde.
Crianças podem perder líquidos rapidamente. Idosos podem apresentar menor percepção de sede, doenças associadas ou uso de medicamentos que aumentem o risco de desidratação. Pessoas imunossuprimidas também podem desenvolver infecções mais prolongadas ou graves.
Quais são os sintomas de infecção intestinal?
Os sintomas dependem do agente, da região do intestino afetada e das condições de saúde da pessoa. Os mais frequentes incluem:
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diarreia aquosa;
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presença de muco ou sangue nas fezes;
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dor ou cólica abdominal;
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náusea;
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vômito;
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febre;
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perda de apetite;
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gases e distensão abdominal;
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mal-estar e fraqueza.
A diarreia é um dos sinais mais característicos, mas não aparece com a mesma intensidade em todos os casos. Algumas infecções provocam principalmente vômitos, enquanto outras podem causar dor abdominal intensa ou diarreia prolongada.
O maior risco associado à diarreia e aos vômitos é a desidratação. Boca seca, sede intensa, redução da urina, tontura, sonolência, olhos fundos e fraqueza podem indicar perda importante de líquidos.
Como é feito o diagnóstico da infecção intestinal?
O diagnóstico começa com a avaliação dos sintomas e do histórico do paciente. O profissional de saúde pode perguntar sobre o início do quadro, o número de evacuações, a presença de sangue ou muco, viagens recentes, consumo de alimentos suspeitos, contato com pessoas doentes, uso de antibióticos e ocorrência de sintomas semelhantes em outras pessoas.
O exame físico ajuda a avaliar o estado geral, a intensidade da dor e possíveis sinais de desidratação. Em quadros leves e de curta duração, a investigação laboratorial nem sempre é necessária.
Nos casos persistentes, recorrentes ou mais intensos, podem ser solicitados exames como:
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exame parasitológico de fezes;
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coprocultura para pesquisa de bactérias;
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pesquisa de antígenos, vírus ou toxinas;
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testes moleculares para identificação de agentes infecciosos;
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exames de sangue para avaliar hidratação, inflamação e possíveis complicações.
A escolha depende das manifestações clínicas e da suspeita diagnóstica. Como diferentes agentes podem produzir sintomas semelhantes, somente a avaliação profissional pode definir quais testes são indicados.
Como tratar uma infecção intestinal?
O tratamento depende do agente causador, da gravidade e das condições de saúde da pessoa. A reposição de líquidos e sais minerais é uma das medidas mais importantes, pois ajuda a prevenir e corrigir a desidratação.
Segundo o Ministério da Saúde, o tratamento das doenças diarreicas agudas se baseia na hidratação por meio da ingestão de líquidos e solução de sais de reidratação oral ou, nos casos mais graves, na administração de fluidos por via intravenosa.
A alimentação habitual deve ser mantida sempre que houver tolerância e orientação profissional. Dietas muito restritivas não devem ser adotadas de forma automática, especialmente para crianças, pessoas idosas ou indivíduos com maior risco nutricional.
Antibióticos são indicados somente em situações específicas de infecção bacteriana. O uso inadequado pode provocar efeitos adversos, alterar a microbiota intestinal e favorecer a resistência bacteriana. Antiparasitários também devem ser utilizados apenas quando houver indicação médica.
Medicamentos destinados a interromper a diarreia não são seguros para todos os casos, principalmente diante de febre alta ou sangue nas fezes. A automedicação pode mascarar sintomas, atrasar o diagnóstico e dificultar o tratamento adequado. Por isso, antibióticos e medicamentos para interromper a diarreia só devem ser utilizados com orientação profissional.
Quando procurar atendimento médico?
É importante procurar atendimento diante de sinais que indiquem desidratação, infecção mais grave ou maior risco de complicações. Entre eles estão:
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sangue ou pus nas fezes;
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febre alta ou persistente;
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vômitos frequentes que dificultem a ingestão de líquidos;
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dor abdominal intensa;
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pouca urina, boca muito seca, tontura ou sonolência;
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piora do estado geral;
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diarreia persistente ou com mais de 14 dias de duração.
Bebês, crianças pequenas, idosos, gestantes, pessoas imunossuprimidas e pacientes com doenças crônicas precisam de atenção especial, pois podem apresentar complicações mais rapidamente.
Como prevenir a infecção intestinal?
Muitas infecções intestinais podem ser prevenidas com cuidados relacionados à higiene, ao saneamento e à manipulação segura dos alimentos.
Lave corretamente as mãos
As mãos devem ser lavadas com água e sabão antes de cozinhar ou comer, depois de usar o banheiro, trocar fraldas, tocar em animais e manusear alimentos crus.
Consuma água segura
Utilize água potável para beber, cozinhar, produzir gelo, higienizar alimentos e escovar os dentes. Caixas d'água devem permanecer tampadas e passar por limpeza periódica.
Em locais onde não exista garantia sobre a qualidade da água, siga as orientações das autoridades sanitárias sobre filtragem, fervura ou desinfecção.
Higienize frutas e verduras
Lave frutas, verduras e legumes em água corrente. Os produtos consumidos crus devem passar pelo processo de desinfecção recomendado, utilizando somente saneantes regularizados e adequados para alimentos, na diluição indicada no rótulo.
Cozinhe bem os alimentos
Carnes, aves, pescados e ovos devem ser completamente cozidos. O interior ainda cru pode abrigar microrganismos capazes de causar infecção.
Evite a contaminação cruzada
Separe os alimentos crus daqueles que já estão preparados. Higienize facas, tábuas, recipientes e bancadas antes de reutilizá-los.
Armazene os alimentos corretamente
Alimentos perecíveis não devem permanecer por períodos prolongados fora da refrigeração. Também é importante observar a validade, as condições da embalagem e as orientações de conservação do fabricante.
Tenha cuidado durante viagens
Informe-se sobre a segurança da água e dos alimentos no destino. Evite gelo de procedência desconhecida, água não tratada e alimentos crus ou malcozidos quando não houver garantia sobre as condições de higiene. Ao comer fora de casa, também é importante redobrar os cuidados com a alimentação, especialmente com alimentos crus, molhos, gelo e produtos mantidos fora da temperatura adequada.
Mantenha a vacinação infantil atualizada
A vacina contra o rotavírus reduz o risco de formas graves da doença em crianças. Como existem limites de idade para sua administração, o calendário vacinal deve ser acompanhado desde os primeiros meses de vida.
Dúvidas frequentes sobre as causas da infecção intestinal
As respostas a seguir ajudam a esclarecer situações comuns relacionadas aos agentes, à transmissão e ao diagnóstico das infecções gastrointestinais.
Infecção intestinal é contagiosa?
Algumas infecções intestinais são bastante contagiosas e podem ser transmitidas de pessoa para pessoa, principalmente pela via fecal-oral. Isso é comum em quadros provocados por vírus e por determinadas bactérias e parasitas. A possibilidade e o período de transmissão variam de acordo com o agente causador.
Comida estragada sempre causa infecção intestinal?
Não. Um alimento deteriorado pode causar problemas, mas alimentos contaminados nem sempre apresentam cheiro, sabor ou aparência alterados. Além disso, nem toda reação após uma refeição é uma infecção. Intoxicações, intolerâncias, alergias alimentares e outras condições também podem provocar sintomas gastrointestinais.
Infecção intestinal pode ser causada pelo estresse?
O estresse pode alterar o funcionamento do intestino e favorecer sintomas como cólicas, urgência para evacuar e diarreia. Entretanto, ele não introduz vírus, bactérias ou parasitas no organismo e, portanto, não é uma causa direta de infecção intestinal.
É possível ter infecção intestinal sem diarreia?
Sim. Embora a diarreia seja comum, algumas pessoas podem apresentar principalmente náusea, vômito, dor abdominal, febre ou perda de apetite. Os sintomas dependem do agente e da resposta do organismo.
Quanto tempo depois da contaminação os sintomas aparecem?
O período de incubação varia conforme o microrganismo. Em algumas intoxicações, os sintomas podem começar poucas horas após a refeição. Em determinadas infecções, podem levar dias ou até semanas para aparecer. Por esse motivo, o último alimento consumido nem sempre é o responsável pelo quadro.
Quanto tempo dura uma infecção intestinal?
A duração varia de acordo com o agente causador. Muitas gastroenterites virais e bacterianas leves melhoram em poucos dias. Algumas infecções parasitárias podem permanecer por períodos mais longos sem o tratamento adequado. Sintomas persistentes ou que pioram precisam ser avaliados por um profissional de saúde.
Todo caso de infecção intestinal precisa de exame de fezes?
Não. Quadros leves e autolimitados podem ser avaliados com base na história clínica e no exame físico. Exames de fezes podem ser indicados diante de sintomas persistentes, sangue nas fezes, suspeita de parasitose, ocorrência de surtos ou maior risco de complicações.
Infecção intestinal precisa de antibiótico?
Nem sempre. Muitas infecções são virais e não respondem aos antibióticos. Mesmo nos casos bacterianos, a necessidade do medicamento depende do agente, da gravidade e das condições do paciente. O uso deve ocorrer somente com orientação médica.
Como saber se a infecção intestinal é viral, bacteriana ou parasitária?
Os sintomas podem levantar suspeitas, mas não são suficientes para confirmar o agente. A identificação pode exigir exames de fezes, testes moleculares ou outros métodos solicitados pelo profissional de saúde.
Posso tomar um medicamento para interromper a diarreia?
Medicamentos antidiarreicos não devem ser utilizados sem orientação. Dependendo do agente e da presença de febre ou sangue nas fezes, eles podem ser contraindicados e aumentar o risco de complicações.
Conhecer as causas ajuda a prevenir a infecção intestinal
A infecção intestinal pode ser causada por diferentes vírus, bactérias e parasitas. Esses agentes chegam ao organismo principalmente pela ingestão de água ou alimentos contaminados, pelo contato entre pessoas e por falhas na higiene das mãos, dos utensílios e das superfícies.
Embora muitos quadros melhorem em poucos dias, a desidratação pode representar um risco, especialmente para crianças, idosos, gestantes e pessoas com a imunidade comprometida. Sintomas intensos, persistentes ou acompanhados de sangue nas fezes exigem avaliação médica.
Se houver indicação profissional para investigar a causa dos sintomas, exames laboratoriais podem ajudar a identificar agentes infecciosos e orientar a conduta adequada.
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