Publicado em 14/08/2026

Exame de colesterol: entenda o que significa HDL, LDL, VLDL, triglicerídeos e colesterol total

O colesterol costuma ser lembrado apenas como algo prejudicial à saúde, mas ele é uma gordura necessária para o funcionamento do organismo. Participa da formação das membranas das células e da produção de hormônios, vitamina D e ácidos biliares, que ajudam na digestão das gorduras. O problema surge quando há um desequilíbrio nas gorduras que circulam no sangue, especialmente quando o LDL está acima da meta adequada para a pessoa.

Como essas alterações geralmente não provocam sintomas, o exame de colesterol tem um papel importante na prevenção. Ele permite identificar níveis inadequados antes que ocorram complicações. O tema ganha ainda mais destaque em 8 de agosto, Dia Nacional de Combate ao Colesterol, data que chama a atenção para a importância de cuidar da saúde cardiovascular durante todo o ano.

Ao receber o laudo, no entanto, é comum encontrar várias siglas e ter dúvidas. Afinal, qual é a diferença entre HDL, LDL e VLDL? O que os triglicerídeos indicam? E um colesterol total dentro da referência significa que está tudo bem?

Neste artigo, você vai entender o que cada item do exame de colesterol avalia, quais são os valores desejáveis e por que o resultado precisa ser analisado de forma individualizada.

O que é o exame de colesterol?

O exame de colesterol, também chamado de perfil lipídico ou lipidograma, é uma análise de sangue que avalia diferentes tipos de gordura presentes no organismo. Em geral, o laudo apresenta:

  • colesterol total;

  • HDL-colesterol;

  • LDL-colesterol;

  • VLDL-colesterol;

  • triglicerídeos.

Esses componentes não têm a mesma função. Alguns transportam colesterol, outros carregam principalmente triglicerídeos, e cada resultado ajuda a compor uma avaliação mais ampla do risco de aterosclerose, infarto e acidente vascular cerebral, conhecido como AVC.

O exame também pode apresentar o colesterol não HDL, calculado pela subtração do HDL do colesterol total. Esse número reúne as partículas que podem favorecer o acúmulo de gordura nas artérias e pode ser especialmente útil quando os triglicerídeos estão elevados.

Qual é a diferença entre HDL, LDL, VLDL, triglicerídeos e colesterol total?

Antes de olhar cada item separadamente, vale entender uma diferença importante. Como as gorduras não se dissolvem no sangue, que é composto principalmente por água, elas precisam ser transportadas por partículas formadas por lipídios e proteínas. Essas partículas são chamadas de lipoproteínas.

Portanto, HDL, LDL e VLDL não são tipos de colesterol propriamente ditos. São os veículos que carregam colesterol e outras gorduras pela corrente sanguínea. As siglas se referem à densidade de cada lipoproteína e ajudam a identificar o que ela transporta e como participa do metabolismo.

Item do exame

Principal função

O que merece atenção

HDL

Ajuda a levar colesterol dos tecidos de volta ao fígado

Níveis baixos podem estar associados a maior risco cardiovascular

LDL

Transporta colesterol para diferentes partes do corpo

Em excesso, pode favorecer a formação de placas nas artérias

VLDL

Transporta principalmente triglicerídeos produzidos pelo fígado

Níveis elevados costumam acompanhar triglicerídeos altos

Triglicerídeos

Armazenam e fornecem energia ao organismo

O excesso aumenta o risco cardiovascular e, em níveis muito altos, o de pancreatite

Colesterol total

Representa a quantidade de colesterol carregada pelas diferentes lipoproteínas

Deve ser analisado junto com as frações, e não isoladamente

O que é HDL?

HDL é a sigla em inglês para lipoproteína de alta densidade. Ele ficou conhecido como “colesterol bom” porque participa do transporte reverso do colesterol. Nesse processo, ajuda a retirar parte do colesterol presente nos tecidos e a levá-lo de volta ao fígado, onde poderá ser reaproveitado ou eliminado.

De modo geral, um HDL baixo está associado a maior risco cardiovascular. Para adultos, o valor desejável indicado pela Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose de 2025 é superior a 40 mg/dL.

Isso não significa, porém, que basta elevar o HDL para proteger o coração. A diretriz atual considera o HDL um marcador de risco, mas não o principal alvo do tratamento. Hábitos saudáveis ajudam a melhorar o perfil cardiovascular como um todo, enquanto a avaliação médica observa também o LDL, os triglicerídeos, a pressão arterial, a glicemia, o tabagismo, o histórico familiar e outros fatores.

O que é LDL?

LDL é a sigla em inglês para lipoproteína de baixa densidade. Sua função é transportar colesterol do fígado para as células. Esse trabalho é necessário, mas o excesso de partículas de LDL no sangue facilita a entrada e a retenção de colesterol na parede das artérias.

Com o tempo, esse processo pode contribuir para a formação de placas de gordura, chamadas placas de ateroma. Elas podem estreitar ou obstruir os vasos sanguíneos e aumentar o risco de infarto, AVC e doença arterial periférica, que compromete a circulação principalmente nos braços e nas pernas. Por isso, o LDL é popularmente chamado de “colesterol ruim” e é o principal alvo no controle das dislipidemias.

Não existe uma única meta de LDL que sirva para todo mundo. Quanto maior o risco cardiovascular, menor deve ser o valor. Uma pessoa que já teve infarto ou AVC, por exemplo, pode precisar manter o LDL muito mais baixo do que alguém jovem e sem fatores de risco.

O que é VLDL?

VLDL significa lipoproteína de densidade muito baixa. Ela é produzida principalmente pelo fígado e transporta uma grande quantidade de triglicerídeos para os tecidos, onde eles podem ser utilizados como fonte de energia ou armazenados.

À medida que entrega triglicerídeos, a VLDL dá origem a partículas remanescentes que também podem participar da formação de placas nas artérias. Por isso, um VLDL elevado merece atenção e costuma estar relacionado a níveis altos de triglicerídeos.

Em muitos laudos, o VLDL não é medido diretamente. Ele pode ser estimado por cálculos que utilizam o valor dos triglicerídeos. A divisão dos triglicerídeos por cinco é uma fórmula tradicionalmente conhecida, mas ela não é adequada para todas as amostras e pode perder precisão conforme os triglicerídeos aumentam. Atualmente, também existem outros métodos de cálculo e de medição direta. Por isso, não é recomendável calcular o VLDL por conta própria, e o resultado deve ser interpretado junto com os demais itens do lipidograma.

O que são triglicerídeos?

Os triglicerídeos são a principal forma de armazenamento de gordura no organismo. Eles funcionam como uma reserva de energia. Quando consumimos mais calorias do que o corpo precisa, especialmente por meio de açúcares, carboidratos refinados, gorduras e bebidas alcoólicas, parte desse excesso pode ser transformada em triglicerídeos e armazenada no tecido adiposo.

Níveis elevados podem estar relacionados a alimentação desequilibrada, consumo excessivo de álcool, sedentarismo, excesso de peso, diabetes descompensado, resistência à insulina, hipotireoidismo, doenças renais, fatores genéticos e uso de alguns medicamentos. Alterações nos triglicerídeos também aparecem com frequência em pessoas com esteatose hepática associada à disfunção metabólica, conhecida popularmente como gordura no fígado.

Triglicerídeos altos contribuem para o risco cardiovascular. Quando atingem valores muito elevados, também aumentam o risco de pancreatite aguda, uma inflamação potencialmente grave do pâncreas.

O que é colesterol total?

O colesterol total representa a quantidade de colesterol transportada pelas diferentes lipoproteínas presentes no sangue, incluindo HDL, LDL e VLDL. Ele oferece uma visão geral, mas não revela sozinho como esse colesterol está distribuído.

Por exemplo, duas pessoas podem ter o mesmo colesterol total e apresentar níveis bastante diferentes de LDL e HDL. Da mesma forma, um colesterol total dentro do valor desejável não garante, isoladamente, que o risco cardiovascular seja baixo. A análise das frações e do estado de saúde da pessoa é indispensável.

Quais são os valores de referência do exame de colesterol?

Para adultos com mais de 20 anos, a diretriz brasileira de 2025 apresenta os seguintes valores desejáveis para colesterol total, HDL e triglicerídeos:

Componente

Valor desejável para adultos

Colesterol total

Menor que 190 mg/dL

HDL

Maior que 40 mg/dL

Triglicerídeos com jejum

Menor que 150 mg/dL

Triglicerídeos sem jejum

Menor que 175 mg/dL

No caso do LDL, o resultado desejável depende da categoria de risco cardiovascular:

Categoria de risco

Meta de LDL

Baixo

Menor que 115 mg/dL

Intermediário

Menor que 100 mg/dL

Alto

Menor que 70 mg/dL

Muito alto

Menor que 50 mg/dL

Extremo

Menor que 40 mg/dL

Esses números ajudam a orientar a avaliação, mas não devem ser usados para autodiagnóstico. A categoria de risco é definida por um profissional de saúde a partir de informações como idade, pressão arterial, diabetes, tabagismo, doença renal, histórico familiar e presença de doença cardiovascular.

Os valores de referência também são diferentes para crianças e adolescentes. A Sociedade Brasileira de Pediatria destaca que o colesterol alto também pode ocorrer na infância, principalmente quando há obesidade, hábitos pouco saudáveis ou alterações genéticas. Portanto, resultados pediátricos devem ser avaliados pelo pediatra.

Como interpretar o resultado do lipidograma?

O primeiro passo é evitar conclusões baseadas em um único número. A interpretação correta considera o conjunto do exame e o perfil clínico da pessoa.

Algumas situações ajudam a mostrar por que essa avaliação precisa ser individual:

  • Colesterol total normal com LDL acima da meta: pode haver risco aumentado, principalmente em pessoas com diabetes, hipertensão, doença renal ou histórico cardiovascular.

  • Colesterol total elevado com HDL alto: o aumento do HDL pode contribuir para o valor total, mas isso não elimina a necessidade de observar o LDL e os demais fatores de risco.

  • Triglicerídeos altos: podem influenciar o cálculo de algumas frações e levar o profissional a solicitar nova coleta ou exames complementares.

  • HDL baixo: funciona como um sinal de atenção, mas não deve ser analisado separadamente nem tratado como o único indicador de proteção cardiovascular.

  • Resultados alterados em pessoas magras: o peso corporal não exclui colesterol alto. Fatores genéticos, alimentação, sedentarismo, doenças e medicamentos também podem interferir.

Além do lipidograma, o médico pode considerar outros marcadores em situações específicas. A diretriz de 2025 dá maior destaque à apolipoproteína B, conhecida como ApoB, e à lipoproteína(a), ou Lp(a), na avaliação de alguns pacientes. Isso não significa que todos precisam realizar esses exames, mas mostra que o risco cardiovascular vai além do colesterol total.

O exame de colesterol precisa de jejum?

Nem sempre. De acordo com o Consenso Brasileiro para a Normatização da Determinação Laboratorial do Perfil Lipídico, colesterol total, HDL, LDL, colesterol não HDL e triglicerídeos podem ser avaliados sem jejum na maioria das situações.

O tempo de jejum deve constar no laudo, pois o valor desejável dos triglicerídeos muda conforme a coleta tenha sido feita em jejum ou não. Se o resultado sem jejum mostrar triglicerídeos acima de 440 mg/dL, pode ser recomendada uma nova coleta com 12 horas de jejum.

O médico também pode solicitar jejum em situações específicas. Além disso, se outros exames forem realizados na mesma coleta, eles podem exigir um preparo diferente. Por isso, siga sempre as orientações recebidas no pedido médico e confirme o preparo com o laboratório. Não interrompa medicamentos por conta própria.

Colesterol alto causa sintomas?

Na maioria das vezes, não. O colesterol elevado pode permanecer silencioso por muitos anos enquanto favorece o desenvolvimento da aterosclerose. É justamente por isso que fazer o exame de colesterol no período recomendado pelo profissional de saúde é tão importante.

Em alterações genéticas graves, podem surgir sinais como xantomas, que são depósitos de gordura na pele ou nos tendões, xantelasmas ao redor dos olhos e um arco esbranquiçado ao redor da córnea em pessoas jovens. Esses achados não confirmam o diagnóstico sozinhos, mas merecem avaliação médica, principalmente quando há histórico familiar de colesterol muito alto ou doença cardiovascular precoce.

Já níveis muito altos de triglicerídeos podem provocar pancreatite, que costuma causar dor abdominal intensa e exige atendimento imediato. Dor no peito, falta de ar ou dor nas pernas ao caminhar não devem ser entendidas como sintomas diretos do colesterol alto. Elas podem indicar complicações cardiovasculares já instaladas e precisam de avaliação médica. Essas situações não são a regra, e a ausência de sintomas não significa que os níveis estejam adequados.

Quem deve fazer o exame de colesterol?

A necessidade e a frequência do lipidograma dependem da idade, do histórico familiar, dos hábitos e das condições de saúde. O exame merece atenção especial em pessoas com:

  • hipertensão arterial;

  • diabetes;

  • excesso de peso ou obesidade;

  • doença renal;

  • tabagismo;

  • sedentarismo;

  • alimentação rica em gorduras saturadas e alimentos ultraprocessados;

  • histórico familiar de colesterol alto ou doença cardiovascular precoce;

  • diagnóstico anterior de colesterol ou triglicerídeos elevados;

  • infarto, AVC ou outra doença cardiovascular já diagnosticada.

Crianças e adolescentes também podem precisar do exame, especialmente diante de fatores de risco ou suspeita de alteração hereditária. A periodicidade deve ser definida pelo médico, pois algumas pessoas necessitam de acompanhamento mais frequente do que outras.

O que fazer quando o colesterol está alto?

O tratamento depende do tipo de alteração e do risco cardiovascular. Em alguns casos, mudanças no estilo de vida podem ser suficientes. Em outros, o médico pode indicar medicamentos associados a essas medidas. Nunca inicie, suspenda ou altere a dose de um remédio sem orientação.

Entre os principais cuidados estão:

Priorizar alimentos in natura ou minimamente processados

Frutas, verduras, legumes, feijões, aveia e outros cereais integrais são fontes de fibras e podem fazer parte de uma alimentação equilibrada. As fibras solúveis, presentes em alimentos como aveia, feijões e algumas frutas, ajudam a reduzir a absorção intestinal de colesterol e ácidos biliares.

Também vale priorizar, em quantidades adequadas, fontes de gorduras insaturadas, como azeite, castanhas, sementes, abacate e peixes, e moderar as gorduras saturadas. Embutidos, biscoitos recheados, salgadinhos, refrigerantes e outros ultraprocessados devem aparecer com menor frequência. O Guia Alimentar para a População Brasileira recomenda fazer dos alimentos in natura ou minimamente processados a base da alimentação.

Praticar atividade física regularmente

A atividade física ajuda a controlar o peso, a glicemia, a pressão arterial e o perfil lipídico. Para adultos sem contraindicações, o Guia de Atividade Física para a População Brasileira recomenda pelo menos 150 minutos de atividade moderada ou 75 minutos de atividade vigorosa por semana. Quem está sedentário ou tem alguma condição de saúde deve buscar orientação antes de aumentar a intensidade.

Evitar o tabagismo e moderar bebidas alcoólicas

Fumar aumenta o risco de danos às artérias e potencializa outros fatores cardiovasculares. O álcool, por sua vez, pode elevar os triglicerídeos, principalmente quando consumido em excesso. Dependendo do quadro clínico, a orientação pode ser evitar completamente a bebida.

Controlar outras condições de saúde

Diabetes, pressão alta, hipotireoidismo, obesidade e algumas doenças renais ou hepáticas podem afetar o perfil lipídico. Tratar essas condições e manter o acompanhamento regular faz parte do cuidado com o colesterol.

Seguir corretamente o tratamento prescrito

Quando o uso de medicamentos é indicado, a regularidade é fundamental. O objetivo do tratamento não é apenas melhorar um número no laudo, mas reduzir o risco de infarto, AVC e outras complicações.

Dúvidas frequentes sobre o exame de colesterol

Antes de concluir, reunimos respostas para algumas das dúvidas mais comuns sobre o exame de colesterol, seus resultados e os cuidados necessários para manter a saúde cardiovascular. Confira:

Pessoas magras podem ter colesterol alto?

Sim. O excesso de peso é um fator de risco, mas não é o único. Genética, alimentação, sedentarismo, diabetes, hipotireoidismo, doenças renais e certos medicamentos também podem alterar o lipidograma.

Colesterol alto tem relação apenas com a alimentação?

Não. O organismo produz grande parte do colesterol de que precisa, principalmente no fígado. A alimentação influencia os níveis, mas herança genética, idade, doenças, uso de medicamentos e hábitos de vida também são importantes.

Um único exame alterado confirma colesterol alto?

Nem sempre. O profissional de saúde avalia a intensidade da alteração, o preparo para a coleta, o histórico clínico e a possibilidade de fatores temporários ou doenças associadas. Dependendo do caso, poderá solicitar a repetição do exame ou testes complementares.

Quem tem colesterol alto precisa tomar remédio?

Não necessariamente. A decisão depende do nível de LDL, do risco cardiovascular e da resposta às mudanças no estilo de vida. Pessoas de maior risco podem precisar de medicação mesmo quando a alteração parece pequena. Somente o médico pode definir a conduta adequada.

O colesterol alto pode ser hereditário?

Sim. Na hipercolesterolemia familiar, alterações genéticas dificultam a retirada do LDL do sangue e podem causar níveis muito elevados desde a infância. Casos de colesterol muito alto ou doença cardiovascular precoce na família devem ser informados ao médico.

Cuidar do colesterol começa por conhecer os seus números

HDL, LDL, VLDL, triglicerídeos e colesterol total mostram aspectos diferentes do transporte e do armazenamento de gorduras no organismo. Juntos, eles ajudam a identificar alterações silenciosas e a orientar cuidados capazes de reduzir o risco cardiovascular.

O resultado, porém, não deve ser interpretado apenas pela comparação com os valores impressos no laudo. Idade, histórico familiar, hábitos, doenças preexistentes e risco cardiovascular mudam as metas e a conduta recomendada para cada pessoa.

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