Publicado em 02/08/2026

Agosto Dourado: hábitos que podem prejudicar a qualidade do leite materno

O Agosto Dourado é uma campanha dedicada à conscientização e ao incentivo ao aleitamento materno. A cor dourada representa o padrão ouro de qualidade do leite humano, um alimento completo e adaptado às necessidades do bebê. No Brasil, agosto foi oficialmente instituído como Mês do Aleitamento Materno pela Lei nº 13.435/2017.

O Ministério da Saúde recomenda que o bebê receba exclusivamente leite materno durante os primeiros seis meses de vida, sem necessidade de água, chás, sucos ou outros alimentos. Depois da introdução alimentar, a amamentação pode continuar até os dois anos ou mais. Além de fornecer nutrientes, o leite materno contém anticorpos e ajuda a proteger a criança contra infecções, diarreias e outras doenças. Conheça os benefícios e as recomendações para o aleitamento materno.

Durante essa fase, é comum surgirem dúvidas sobre os hábitos que podem prejudicar a qualidade do leite materno. Embora o organismo priorize a nutrição do bebê e mantenha o leite adequado em diferentes situações, algumas escolhas podem interferir em sua composição, reduzir a produção, dificultar a ejeção ou expor a criança a substâncias indesejadas.

Existe leite materno fraco?

Não existe leite materno fraco. O leite humano muda naturalmente de aparência e composição ao longo do dia, durante cada mamada e conforme o bebê cresce.

No início da mamada, por exemplo, ele pode parecer mais claro por apresentar maior proporção de água. À medida que a mamada avança, aumenta a concentração de gordura. Essas mudanças fazem parte do processo natural e não significam que o leite tenha baixa qualidade.

A alimentação de quem amamenta também não precisa ser perfeita para que o leite seja nutritivo. Em condições habituais, o organismo consegue manter sua produção e composição. Deficiências nutricionais prolongadas, entretanto, podem alterar a concentração de alguns micronutrientes e comprometer principalmente a saúde e as reservas nutricionais maternas.

Por isso, é mais preciso falar em fatores que podem afetar a composição, a segurança, a ejeção ou o volume do leite, e não em hábitos que simplesmente o tornam “fraco”.

Quais hábitos podem afetar o leite materno?

Algumas substâncias consumidas pela mãe chegam ao leite. Outros comportamentos influenciam principalmente a produção, a frequência das mamadas ou a conservação do leite após a ordenha.

Conheça os principais cuidados.

1. Consumir bebidas alcoólicas

O álcool passa para o leite materno, e sua concentração tende a acompanhar a quantidade presente no sangue. Além de expor o bebê à substância, o consumo pode interferir na liberação de ocitocina, hormônio responsável pelo reflexo de ejeção, conhecido como “descida do leite”.

O álcool também pode modificar o odor e o sabor do leite, afetar a quantidade ingerida pelo bebê e contribuir para alterações no sono. Quando consumido com frequência ou em grandes quantidades, pode prejudicar a produção.

Por isso, a opção mais segura durante a amamentação é evitar bebidas alcoólicas. Caso haja consumo, um profissional de saúde deve orientar quanto ao intervalo necessário antes da próxima mamada. Esse tempo varia conforme a quantidade ingerida, o peso corporal e o período transcorrido.

Retirar o leite e descartá-lo não acelera a eliminação do álcool. Sua concentração diminui conforme o organismo metaboliza a substância.

2. Fumar ou utilizar cigarros eletrônicos

A nicotina e outras substâncias presentes nos cigarros convencionais e eletrônicos podem chegar ao bebê pelo leite. A criança também pode ser exposta por meio da fumaça do ambiente e dos resíduos que permanecem nas roupas, nos cabelos e nas superfícies.

O tabagismo pode reduzir a produção de leite. Já a exposição passiva aumenta o risco de problemas respiratórios e está relacionada a um risco maior de morte súbita infantil. O Ministério da Saúde alerta para os danos da fumaça do tabaco à saúde das crianças.

O ideal é interromper o uso de cigarros, vapes e outros produtos derivados do tabaco. Se não for possível parar imediatamente, isso não significa que a amamentação deva ser suspensa por conta própria, pois seus benefícios continuam sendo importantes.

Nessa situação, recomenda-se buscar ajuda para deixar de fumar, nunca utilizar esses produtos perto do bebê ou em ambientes fechados, lavar as mãos e trocar de roupa antes do contato.

3. Exagerar no consumo de cafeína

A cafeína passa para o leite em pequenas quantidades. O organismo do bebê, especialmente nos primeiros meses de vida, demora mais para metabolizar e eliminar a substância.

O consumo elevado pode provocar:

  • Irritabilidade;

  • Agitação;

  • Tremores;

  • Dificuldade para dormir.

A cafeína não está presente apenas no café. Ela também pode ser encontrada em chás preto, verde e mate, chimarrão, refrigerantes à base de cola, chocolates, energéticos e alguns medicamentos.

O consumo moderado geralmente não provoca efeitos adversos. Ainda assim, a sensibilidade pode variar entre os bebês. Por isso, além de moderar a ingestão, é necessário observar possíveis alterações no comportamento e no sono da criança. O Ministério da Saúde recomenda que café, chá e chimarrão sejam consumidos com moderação durante a amamentação. Confira as orientações sobre alimentação durante a amamentação.

4. Tomar medicamentos sem orientação

Muitos medicamentos são compatíveis com a amamentação. Outros, porém, podem passar para o leite, provocar efeitos no bebê ou interferir na produção.

Isso também vale para remédios vendidos sem receita, suplementos, fórmulas naturais, chás e fitoterápicos. A origem natural de uma substância não garante que ela seja segura durante a lactação.

Antes de iniciar, suspender ou trocar qualquer tratamento, procure um médico ou outro profissional habilitado. Em muitos casos, é possível ajustar a dose, modificar o horário ou escolher uma alternativa com menor passagem para o leite.

Não é recomendável interromper um tratamento nem suspender a amamentação sem uma avaliação individualizada. O Ministério da Saúde disponibiliza um manual sobre amamentação e uso de medicamentos e outras substâncias.

5. Usar drogas ilícitas

Substâncias como cocaína, crack, ecstasy e outras drogas podem chegar ao leite e provocar efeitos graves no organismo do bebê. A cannabis também pode expor a criança a compostos psicoativos, e ainda não existe uma quantidade considerada segura durante a amamentação.

Além da exposição pelo leite, essas substâncias podem comprometer o estado de consciência e a capacidade de cuidar da criança com segurança.

Diante do uso de drogas, é necessário procurar atendimento médico imediatamente. A orientação sobre suspender temporariamente ou retomar a amamentação deve considerar a substância utilizada, o momento do consumo e as condições de saúde da mãe e do bebê.

6. Adotar dietas muito restritivas

Na tentativa de perder rapidamente o peso adquirido durante a gestação, algumas mulheres recorrem a dietas com restrição excessiva de alimentos ou calorias. Essa prática pode provocar cansaço, perda inadequada de peso e deficiências nutricionais.

Em situações prolongadas, a ingestão insuficiente de determinados nutrientes pode afetar a concentração de algumas vitaminas no leite e esgotar as reservas do organismo materno.

Dietas vegetarianas, veganas ou que excluem grupos alimentares por alergias e intolerâncias podem ser mantidas, mas precisam de acompanhamento para garantir nutrientes como vitamina B12, ferro, cálcio, iodo, vitamina D e ômega-3.

A recomendação geral é priorizar alimentos in natura ou minimamente processados, incluindo frutas, verduras, legumes, arroz, feijão, carnes, ovos ou outras fontes adequadas de proteínas. Confira as recomendações do Ministério da Saúde para a alimentação durante a amamentação.

É necessário excluir algum alimento durante a amamentação?

Na maioria das situações, não é preciso eliminar alimentos específicos. Feijão, brócolis, couve-flor, alho, cebola, chocolate e outros alimentos frequentemente associados a cólicas não precisam ser retirados preventivamente.

Cólicas, gases, irritabilidade e choro podem ter diferentes causas e nem sempre estão relacionados ao que a mãe come. Uma dieta de exclusão só deve ser realizada quando houver suspeita clínica ou diagnóstico de alguma condição, como alergia alimentar, e sempre com acompanhamento profissional.

Restrições desnecessárias podem tornar a alimentação insuficiente, aumentar a preocupação de quem amamenta e dificultar a continuidade do aleitamento. O Ministério da Saúde esclarece que vários alimentos considerados “proibidos” no passado podem fazer parte de uma dieta equilibrada. Veja outros mitos sobre a alimentação materna.

7. Descuidar da hidratação

É comum sentir mais sede durante o período de amamentação. Manter uma hidratação adequada é importante para o funcionamento do organismo e para a recuperação pós-parto.

Entretanto, não existe uma quantidade única de água adequada para todas as mulheres. As necessidades variam conforme o clima, a alimentação, a atividade física e outras características individuais.

A orientação prática é beber água ao longo do dia e responder à sensação de sede. Manter uma garrafa por perto durante as mamadas pode ajudar. Por outro lado, forçar a ingestão de grandes quantidades de água não aumenta automaticamente a produção de leite.

8. Passar longos períodos sem amamentar ou retirar o leite

A produção funciona principalmente pelo mecanismo de oferta e demanda. Quanto mais o bebê mama e esvazia as mamas de maneira eficiente, maior é o estímulo para produzir leite.

Horários excessivamente rígidos, mamadas interrompidas, pega inadequada e longos intervalos podem diminuir esse estímulo. O mesmo pode acontecer quando a mãe retorna ao trabalho e permanece muitas horas sem amamentar ou realizar a ordenha.

Esse hábito não deixa o leite fraco, mas pode reduzir o volume produzido. Sempre que possível, a amamentação deve acontecer em livre demanda, respeitando os sinais de fome e saciedade do bebê.

E o uso de mamadeiras e chupetas?

O Ministério da Saúde não recomenda o uso de mamadeiras e chupetas, pois esses dispositivos podem influenciar negativamente a amamentação. Algumas crianças passam a apresentar dificuldade para mamar no peito ou reduzem a frequência das mamadas depois de experimentar outros bicos.

Quando a mamadeira ou a chupeta substitui momentos em que o bebê mamaria, o estímulo oferecido às mamas também diminui. Isso pode contribuir para a redução gradual da produção.

Caso seja necessário oferecer o leite ordenhado, a família deve receber orientação sobre a forma mais adequada de alimentação para cada criança. Veja as recomendações do Ministério da Saúde sobre mamadeiras, chupetas e produção de leite.

9. Ignorar os efeitos do estresse e da sobrecarga

Estresse, medo, dor e ansiedade podem dificultar temporariamente a liberação de ocitocina e o reflexo de ejeção. Nesses momentos, o leite continua presente nas mamas, mas pode demorar mais para fluir.

Isso não significa que o estresse estragou o leite ou interrompeu definitivamente a produção. Entretanto, dificuldades frequentes, associadas à privação de sono e à sobrecarga, podem tornar a experiência mais cansativa e prejudicar a continuidade do aleitamento.

Por isso, uma rede de apoio também faz parte do cuidado com a amamentação. Dividir tarefas, permitir que a mãe descanse e evitar cobranças são atitudes que contribuem para seu bem-estar e para uma rotina mais acolhedora. Um protocolo de manejo do aleitamento do Hospital das Clínicas da UFG explica como estresse, dor e ansiedade podem interferir na liberação de ocitocina.

10. Consumir com frequência peixes contaminados por mercúrio

Os peixes são fontes importantes de proteínas, vitaminas, minerais e gorduras benéficas. Por isso, não devem ser excluídos da alimentação sem necessidade.

No entanto, peixes provenientes de áreas contaminadas podem apresentar concentrações elevadas de mercúrio. Essa substância pode passar para o leite materno e, em níveis elevados, prejudicar o desenvolvimento do cérebro e do sistema nervoso da criança.

A orientação não é deixar de comer peixe, mas variar as espécies e evitar o consumo frequente de peixes provenientes de áreas contaminadas. Como os níveis de mercúrio variam conforme a espécie e o local de origem, gestantes e mulheres que amamentam devem seguir as recomendações sanitárias de sua região. Entenda como a exposição ao mercúrio pode ocorrer durante a amamentação.

11. Descuidar da higiene e do armazenamento

Quando o leite é retirado para ser oferecido posteriormente, falhas na higiene e na conservação podem favorecer sua contaminação.

Antes da ordenha, é necessário higienizar bem as mãos, prender os cabelos e utilizar um recipiente limpo e apropriado. Também é importante identificar o frasco com a data da coleta, armazená-lo na temperatura correta e respeitar os prazos recomendados pelos serviços de saúde.

O leite não deve ser fervido nem aquecido diretamente no micro-ondas, pois isso pode prejudicar algumas de suas propriedades e criar pontos muito quentes, com risco de queimaduras.

Para informações detalhadas, consulte as orientações oficiais de extração e armazenamento do leite humano.

Cerveja preta e outros alimentos aumentam a produção de leite?

Durante a amamentação, é comum receber recomendações sobre alimentos e bebidas que supostamente fariam o organismo produzir mais leite. Muitas dessas orientações são transmitidas entre gerações, mas não possuem comprovação científica.

Cerveja preta aumenta a produção?

Não. A cerveja preta contém álcool, assim como as demais cervejas, e não deve ser utilizada para estimular a produção de leite.

O álcool passa para o leite materno e pode interferir na liberação de ocitocina, dificultando o reflexo de ejeção. Portanto, além de não aumentar a produção, a cerveja preta pode atrapalhar a descida do leite e expor o bebê ao álcool.

Canjica, quinoa e outros alimentos fazem produzir mais leite?

Também não há comprovação de que canjica, quinoa ou qualquer outro alimento, isoladamente, aumente a quantidade de leite.

Esses alimentos podem fazer parte de uma alimentação equilibrada, conforme os hábitos e as preferências da família. Entretanto, nenhum deles funciona como um estimulante comprovado da produção.

A alimentação de quem amamenta deve ser variada e suficiente para preservar sua saúde e suas reservas nutricionais. Isso é diferente de atribuir a um prato ou ingrediente específico a capacidade de produzir mais leite.

Beber muita água aumenta o leite?

Manter-se hidratada é importante, mas ingerir água muito além da sede não faz o organismo produzir leite em maior quantidade.

A recomendação é beber água ao longo do dia, de acordo com as necessidades do corpo. Uma estratégia simples é manter uma garrafa por perto durante as mamadas. Não existe uma quantidade única que sirva para todas as mulheres.

O que realmente ajuda na produção?

O principal estímulo para a produção é a retirada frequente e eficiente do leite. Isso acontece quando o bebê apresenta uma boa pega, mama em livre demanda e consegue esvaziar adequadamente as mamas.

Também podem ajudar:

  • Corrigir o posicionamento e a pega, quando necessário;

  • Aumentar a frequência das mamadas;

  • Evitar longos intervalos sem amamentar ou realizar a ordenha;

  • Descansar sempre que possível;

  • Contar com uma rede de apoio;

  • Manter uma alimentação equilibrada e hidratação adequada;

  • Procurar orientação ao perceber dificuldades.

Choro, mamadas frequentes ou alguns dias sem evacuar não significam necessariamente que a produção esteja baixa. A avaliação deve considerar o ganho de peso, o crescimento, a quantidade de fraldas molhadas e outros sinais observados pelo pediatra.

O Ministério da Saúde e a Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano esclarecem esses e outros mitos. Conheça as orientações sobre cerveja preta, canjica e produção de leite e confira outros mitos e verdades sobre o aleitamento materno.

Como favorecer a produção e a segurança do leite materno?

Algumas atitudes ajudam a cuidar da saúde materna e da amamentação:

  • Mantenha uma alimentação variada e equilibrada;

  • Beba água de acordo com a sede;

  • Evite álcool, tabaco, cigarros eletrônicos e outras drogas;

  • Modere o consumo de cafeína;

  • Não use medicamentos, chás ou suplementos sem orientação;

  • Amamente em livre demanda sempre que possível;

  • Observe a pega e o esvaziamento das mamas;

  • Siga os cuidados de higiene e armazenamento;

  • Compartilhe tarefas e conte com uma rede de apoio;

  • Mantenha o acompanhamento médico e pediátrico.

Quando procurar ajuda?

Procure orientação profissional quando:

  • O bebê apresentar dificuldade para pegar ou sugar a mama;

  • Houver dor intensa, fissuras ou sangramento nos mamilos;

  • As mamas estiverem muito endurecidas, quentes ou avermelhadas;

  • A criança não estiver ganhando peso conforme o esperado;

  • O bebê produzir menos fraldas molhadas que o habitual;

  • Houver sonolência ou irritabilidade excessiva após as mamadas;

  • For necessário utilizar medicamentos durante a lactação;

  • Existirem dúvidas sobre alimentação, consumo de substâncias ou armazenamento;

  • A mãe perceber redução persistente na produção.

As Unidades Básicas de Saúde e os Bancos de Leite Humano oferecem orientação para dificuldades relacionadas à amamentação. Pediatras, obstetras, nutricionistas e outros profissionais capacitados também podem avaliar as necessidades da mãe e do bebê.

Agosto Dourado: amamentar também exige apoio

O Agosto Dourado reforça que a amamentação não deve ser uma responsabilidade exclusiva da mãe. O envolvimento da família, dos profissionais de saúde, dos empregadores e da sociedade ajuda a criar condições mais favoráveis para sua continuidade.

Mais do que impor restrições, o objetivo deve ser oferecer informação, acolhimento e apoio. Dificuldades para amamentar não representam falta de cuidado ou dedicação. Com orientação adequada, é possível identificar os fatores envolvidos e encontrar caminhos mais seguros para cada família.

Cuide da sua saúde durante a amamentação e mantenha o acompanhamento profissional em dia. Quando houver indicação clínica, exames laboratoriais podem ajudar a identificar deficiências nutricionais e outras condições que afetam o bem-estar materno. Conte com o Laboratório Genoma para realizar seus exames com segurança, qualidade e atendimento humanizado.

E se você quiser saber mais sobre os exames que realizamos, agendar seu check-up ou sanar qualquer dúvida, basta entrar em contato com nossa equipe pelo WhatsApp. Não se esqueça de também nos acompanhar no Instagram, pois sempre o mantemos atualizado com informações relevantes para sua saúde e bem-estar.

Nós usamos cookies e outras tecnologias semelhantes para melhorar a sua experiência em nosso site. Ao navegar em nosso site, você concorda com tal monitoramento.

Prosseguir