Publicado em 10/07/2026

Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG): causas, sintomas e prevenção

A Síndrome Respiratória Aguda Grave, também conhecida pela sigla SRAG, é uma condição que exige atenção porque indica um quadro respiratório com sinais de agravamento. Ela pode surgir como complicação de diferentes infecções respiratórias, especialmente em períodos de maior circulação de vírus, como outono e inverno.

Ao contrário do que muita gente imagina, a SRAG não é uma doença única nem o nome de um vírus específico. Ela é uma síndrome, ou seja, um conjunto de sinais e sintomas que pode ser causado por agentes diferentes, como influenza, SARS-CoV-2, vírus sincicial respiratório, rinovírus, adenovírus e outros vírus respiratórios.

Na prática, a Síndrome Respiratória Aguda Grave merece cuidado porque pode comprometer a respiração e a oxigenação do organismo. Por isso, reconhecer os sintomas de alerta e buscar atendimento no momento certo faz diferença para reduzir riscos, orientar o tratamento e evitar complicações.

O que é Síndrome Respiratória Aguda Grave?

A Síndrome Respiratória Aguda Grave acontece quando uma infecção respiratória evolui com sinais de gravidade, como falta de ar, desconforto respiratório, queda na oxigenação ou piora importante do estado geral.

Segundo o Ministério da Saúde, a SRAG é considerada quando uma pessoa com síndrome gripal apresenta sinais como dispneia, desconforto respiratório, saturação de oxigênio menor ou igual a 94% em ar ambiente, piora de doença preexistente ou hipotensão.

Em termos simples, é como se um quadro que começou parecido com gripe ou resfriado passasse a atingir os pulmões de forma mais intensa. Em alguns casos, os alvéolos pulmonares, pequenas estruturas responsáveis pelas trocas gasosas, podem ficar inflamados e prejudicar a entrada de oxigênio no sangue.

Qual é a diferença entre resfriado, gripe e SRAG?

Muitos quadros respiratórios começam de forma parecida, com tosse, coriza, dor de garganta, febre ou mal-estar. A diferença está principalmente na intensidade dos sintomas e na presença de sinais de gravidade.

No resfriado, os sintomas costumam ser mais leves e concentrados nas vias aéreas superiores, como nariz e garganta.

Na gripe, é comum haver febre, dor no corpo, cansaço, dor de cabeça e tosse. Em geral, a evolução é autolimitada, mas pode se agravar em pessoas mais vulneráveis.

Já a SRAG representa uma evolução mais séria. O quadro passa a envolver dificuldade para respirar, queda da saturação de oxigênio, dor ou pressão no peito, confusão mental, piora de doenças de base ou necessidade de internação.

O que pode causar SRAG?

A SRAG pode ser provocada por diferentes agentes infecciosos. Entre os mais frequentes estão:

Influenza A e B: vírus causadores da gripe, com potencial de levar a hospitalizações e complicações, especialmente em grupos de risco.

SARS-CoV-2: vírus causador da covid-19, que continua sendo monitorado como agente associado a casos respiratórios graves.

Vírus sincicial respiratório (VSR): importante causa de infecções respiratórias em crianças pequenas, especialmente bebês, e também motivo de atenção em idosos e pessoas com maior vulnerabilidade.

Rinovírus, adenovírus, parainfluenza e outros vírus respiratórios: geralmente associados a quadros leves, mas que podem evoluir com gravidade em algumas situações.

Bactérias: algumas infecções bacterianas, como pneumonias, podem causar ou complicar quadros respiratórios graves.

A Fiocruz, por meio do InfoGripe, acompanha a circulação de vírus respiratórios associados à SRAG no Brasil e destaca com frequência a participação de agentes como VSR, influenza, rinovírus e SARS-CoV-2 nos casos monitorados.

Quais são os sintomas da Síndrome Respiratória Aguda Grave?

A SRAG pode começar com sintomas semelhantes aos de uma síndrome gripal. Por isso, é importante observar não apenas o início do quadro, mas principalmente a evolução dos sintomas.

Entre os sintomas iniciais, podem aparecer:

  • Febre;

  • Tosse;

  • Dor de garganta;

  • Dor no corpo;

  • Dor de cabeça;

  • Cansaço intenso;

  • Coriza ou congestão nasal.

O sinal de alerta surge quando há piora respiratória ou comprometimento do estado geral. Nesses casos, a pessoa pode apresentar:

  • Falta de ar ou dificuldade para respirar;

  • Respiração acelerada ou com esforço;

  • Saturação de oxigênio baixa;

  • Dor ou pressão persistente no peito;

  • Lábios, rosto ou extremidades arroxeadas;

  • Sonolência excessiva ou confusão mental;

  • Piora de doenças preexistentes, como asma, DPOC, cardiopatias ou diabetes.

Sinais de alerta em crianças

Em crianças, os sinais de agravamento podem ser diferentes dos sintomas percebidos em adultos. Além da febre, tosse e cansaço, é importante observar:

  • Batimento de asa do nariz, quando as narinas se abrem muito durante a respiração;

  • Retração entre as costelas, quando a pele “afunda” ao respirar;

  • Respiração muito rápida;

  • Recusa alimentar;

  • Apatia ou sonolência fora do habitual;

  • Lábios ou extremidades arroxeadas;

  • Sinais de desidratação.

O Ministério da Saúde orienta atenção a sinais específicos em crianças, como batimento de asa do nariz, cianose, tiragem intercostal, desidratação e falta de apetite.

Quem tem maior risco de complicações?

Embora qualquer pessoa possa desenvolver Síndrome Respiratória Aguda Grave, alguns grupos têm maior risco de evolução desfavorável. Entre eles estão:

  • Idosos;

  • Crianças pequenas, especialmente menores de 5 anos;

  • Bebês, principalmente nos primeiros anos de vida;

  • Gestantes e puérperas;

  • Pessoas com doenças crônicas, como diabetes, doenças cardíacas, doenças pulmonares, doenças renais e obesidade;

  • Pessoas imunossuprimidas, como pacientes em tratamento oncológico, transplantados ou em uso de medicamentos que reduzem a imunidade;

  • Povos indígenas e outros grupos vulneráveis, conforme critérios de saúde pública.

Esses grupos merecem atenção especial porque podem evoluir mais rapidamente para quadros graves ou apresentar sintomas menos evidentes no início da infecção.

Como é feito o diagnóstico da SRAG?

O diagnóstico da SRAG começa com a avaliação clínica. O profissional de saúde analisa os sintomas, o tempo de evolução, a presença de doenças preexistentes, a frequência respiratória, a pressão arterial, a ausculta pulmonar e a saturação de oxigênio.

Além disso, exames complementares podem ser solicitados para identificar o agente causador e avaliar a gravidade do quadro. Entre os principais exames estão:

  • Testes para vírus respiratórios, como RT-PCR, teste de antígeno ou painel viral, que podem identificar influenza, SARS-CoV-2, VSR e outros agentes.

  • Hemograma e exames de sangue, que ajudam a avaliar sinais de infecção, inflamação, função renal, função hepática e outros parâmetros importantes para o acompanhamento.

  • Oximetria de pulso, usada para medir a saturação de oxigênio no sangue.

  • Gasometria arterial, indicada em alguns casos mais graves para avaliar oxigenação e troca de gases.

  • Raio-X ou tomografia de tórax, que podem mostrar sinais de pneumonia, infiltrados pulmonares ou outros comprometimentos respiratórios.

Nos casos de SRAG, especialmente quando há hospitalização, a investigação laboratorial é importante tanto para a conduta médica quanto para o monitoramento epidemiológico.

Por que os exames laboratoriais são importantes?

Os exames laboratoriais têm papel essencial porque ajudam a diferenciar infecções que podem ter sintomas parecidos, mas exigem condutas diferentes. Um quadro de influenza, covid-19, VSR ou infecção bacteriana pode começar de forma semelhante, mas o acompanhamento e as decisões médicas podem variar conforme o agente envolvido.

Identificar o vírus ou bactéria associado ao quadro também ajuda a orientar medidas de isolamento, monitorar a circulação de agentes respiratórios e apoiar decisões de saúde pública.

No Brasil, os casos de SRAG são acompanhados pelo SIVEP-Gripe, sistema usado para registrar casos hospitalizados e óbitos por SRAG, contribuindo para a vigilância da influenza, covid-19 e outros vírus respiratórios.

SRAG tem tratamento?

Sim. O tratamento depende da causa, da gravidade e das condições de saúde do paciente. Em casos mais leves de síndrome gripal, o cuidado pode envolver repouso, hidratação e controle dos sintomas, sempre com orientação profissional.

Já a SRAG exige avaliação médica imediata e pode demandar atendimento hospitalar. O tratamento pode incluir:

  • Oxigenoterapia, quando há queda da oxigenação;

  • Suporte ventilatório, nos casos de insuficiência respiratória;

  • Antivirais, quando indicados para agentes específicos, como influenza;

  • Antibióticos, quando há suspeita ou confirmação de infecção bacteriana associada;

  • Hidratação e controle de febre ou dor;

  • Monitoramento contínuo dos sinais vitais.

No caso da influenza, o Ministério da Saúde informa que o fosfato de oseltamivir é indicado para todos os casos de SRAG e para casos de síndrome gripal com fatores de risco para complicações, preferencialmente nas primeiras 48 horas após o início dos sintomas.

A automedicação deve ser evitada. Antibióticos, anti-inflamatórios e outros medicamentos usados sem orientação podem mascarar sintomas, atrasar o diagnóstico correto e aumentar riscos.

Como prevenir a Síndrome Respiratória Aguda Grave?

A prevenção da SRAG passa pela redução do risco de infecções respiratórias e pela proteção contra formas graves. Algumas medidas simples fazem diferença:

Mantenha a vacinação em dia. A vacinação contra influenza e covid-19 reduz o risco de formas graves, internações e mortes. A estratégia de vacinação contra influenza tem como objetivo reduzir internações, complicações e óbitos na população-alvo.

Higienize as mãos com frequência. Use água e sabão ou álcool em gel, especialmente após tossir, espirrar, usar transporte público ou tocar superfícies compartilhadas.

Evite tocar olhos, nariz e boca sem higienizar as mãos. Essa é uma das formas de reduzir a entrada de vírus no organismo.

Use máscara quando necessário. Em ambientes fechados, com aglomeração ou quando houver sintomas respiratórios, a máscara ajuda a reduzir a transmissão de vírus.

Mantenha os ambientes ventilados. A circulação de ar diminui a concentração de partículas respiratórias no ambiente.

Evite contato próximo com pessoas gripadas, especialmente se houver crianças pequenas, idosos, gestantes ou pessoas imunossuprimidas em casa.

Controle doenças crônicas. Diabetes, doenças cardíacas, doenças pulmonares e outras condições precisam de acompanhamento regular, pois podem aumentar o risco de complicações.

Procure atendimento diante de sinais de alerta. Falta de ar, dor no peito, confusão mental, saturação baixa ou piora rápida do quadro não devem ser observados em casa sem avaliação profissional.

Quando procurar atendimento médico?

Procure atendimento imediatamente se houver:

  • Falta de ar;

  • Respiração com esforço;

  • Saturação baixa no oxímetro;

  • Dor ou pressão persistente no peito;

  • Confusão mental ou sonolência excessiva;

  • Lábios ou rosto arroxeados;

  • Febre persistente ou piora após melhora inicial;

  • Recusa alimentar, apatia ou retração das costelas em crianças.

Em situações de urgência, procure uma UPA, pronto-socorro ou serviço de emergência.

Por fim, vale reforçar que a Síndrome Respiratória Aguda Grave é uma condição séria, mas reconhecer seus sinais ajuda a buscar atendimento no momento certo. O cuidado deve ser ainda maior em crianças pequenas, idosos, gestantes, pessoas com doenças crônicas e pacientes imunossuprimidos.

Mais do que esperar os sintomas passarem, é importante observar a evolução do quadro. Quando há falta de ar, queda da oxigenação, dor no peito, confusão mental ou piora rápida, a avaliação médica deve ser imediata.

Os exames laboratoriais também têm um papel importante nesse processo, ajudando a identificar o agente causador, orientar a conduta médica e contribuir para o monitoramento das infecções respiratórias.

Se você ou alguém da sua família apresenta sintomas respiratórios persistentes ou sinais de agravamento, procure atendimento médico. E, quando houver indicação, conte com os exames laboratoriais para apoiar um diagnóstico mais seguro e um cuidado mais eficiente.

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