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Julho Amarelo: por que gestantes devem redobrar a atenção com as hepatites virais
Publicado em 03/07/2026
A descoberta da gravidez marca o início de uma fase cheia de mudanças e novos cuidados. A partir desse momento, cada decisão sobre saúde passa a envolver também o desenvolvimento do bebê, tornando o acompanhamento médico ainda mais importante.
É assim que o Julho Amarelo ganha um papel especial. A campanha, instituída pela Lei nº 13.802/2019, reforça a importância da prevenção, do diagnóstico e do controle das hepatites virais, infecções que atingem o fígado e que podem evoluir de forma silenciosa.
Quando falamos em prevenção das hepatites para gestantes, o cuidado precisa começar cedo, de preferência ainda no início do pré-natal. Isso porque algumas hepatites podem ser transmitidas da mãe para o bebê durante a gestação ou no parto, especialmente quando não são identificadas e acompanhadas da forma correta.
A boa notícia é que informação, exames, vacinação e acompanhamento adequado ajudam a reduzir riscos importantes. Por isso, o Julho Amarelo é também um convite para olhar com mais atenção para os exames do pré-natal e para a proteção da mãe e do bebê.
Por que as hepatites virais merecem mais atenção na gravidez?
As hepatites virais são infecções causadas por diferentes vírus, principalmente os tipos A, B, C, D e E. Elas provocam inflamação no fígado e podem causar alterações leves, moderadas ou graves.
Na gestação, esse cuidado ganha ainda mais importância porque algumas infecções podem gerar riscos para a saúde materna e para o bebê. Além disso, muitas hepatites não apresentam sintomas no início, o que faz com que a pessoa possa estar infectada sem saber. No caso da hepatite B, por exemplo, o Ministério da Saúde informa que a doença muitas vezes é diagnosticada apenas décadas após a infecção.
Por isso, esperar sinais como pele amarelada, urina escura, enjoo, febre, cansaço ou dor abdominal não é a melhor estratégia. Durante a gravidez, a testagem no pré-natal é uma das formas mais seguras de identificar o problema antes que ele traga consequências maiores.
Transmissão vertical: quando a hepatite pode passar da mãe para o bebê
Um dos principais motivos de atenção é a chamada transmissão vertical, que acontece quando uma infecção passa da mãe para o bebê durante a gestação, no parto ou em situações específicas relacionadas ao período perinatal.
Entre as hepatites virais, as hepatites B e C merecem destaque no pré-natal. A hepatite B pode ser transmitida da mãe para o filho durante a gestação ou o parto, e essa transmissão pode aumentar o risco de a criança desenvolver a forma crônica da doença.
A hepatite C também exige cuidado. Toda gestante precisa realizar exames para detectar hepatites B e C, HIV e sífilis durante o pré-natal. No caso da hepatite C, um resultado positivo no anti-HCV precisa ser confirmado por outro exame, o HCV-RNA, que identifica se há infecção ativa pelo vírus.
Esse diagnóstico precoce é essencial porque permite planejar o acompanhamento da gestante, orientar os cuidados no parto e garantir que o bebê seja avaliado no momento adequado.
Hepatite B na gestação: vacina, exames e cuidado no parto
A hepatite B é uma das principais preocupações quando o assunto é hepatite viral na gestação. Isso acontece porque ela pode ser transmitida da mãe para o bebê, mas também porque existem medidas eficazes de prevenção.
A investigação para hepatite B deve ser feita em todas as gestantes a partir do primeiro trimestre ou no início do pré-natal. O exame pode ser realizado por teste rápido ou exame laboratorial. Quando o resultado é não reagente e a gestante não tem histórico de vacinação, recomenda-se a vacinação em três doses.
A vacina contra hepatite B é indicada para gestantes em qualquer idade gestacional, considerando o histórico vacinal anterior. O esquema usual é de três doses, no intervalo de 0, 1 e 6 meses. Caso não seja possível completar o esquema durante a gestação, a mulher deve concluir após o parto.
Quando a gestante tem resultado reagente para hepatite B, a equipe de saúde pode solicitar exames complementares, como carga viral. Em alguns casos, pode haver indicação de profilaxia com antiviral a partir do terceiro trimestre, conforme critérios médicos.
O cuidado com o bebê também começa logo após o nascimento. Para recém-nascidos expostos à hepatite B durante a gestação, o Ministério da Saúde recomenda vacina contra hepatite B e imunoglobulina humana anti-hepatite B, preferencialmente nas primeiras 24 horas após o parto. Essas medidas, quando realizadas em conjunto, previnem a transmissão perinatal em mais de 90% dos recém-nascidos.
Hepatite C: não há vacina, por isso o cuidado é redobrado
Diferentemente da hepatite B, a hepatite C ainda não possui vacina. Por isso, a prevenção depende principalmente da testagem, do diagnóstico precoce e de cuidados para evitar contato com sangue contaminado.
O teste de triagem para hepatite C é o anti-HCV. Quando ele apresenta resultado positivo, é necessário realizar o exame de carga viral, chamado HCV-RNA, para confirmar a infecção ativa.
Durante a gravidez, o tratamento da hepatite C não é indicado. Após o parto, o início do tratamento deve ser avaliado pela equipe médica, considerando a gravidade da doença e a eventual necessidade de suspensão da amamentação.
Ainda assim, descobrir a infecção durante o pré-natal faz toda a diferença. O diagnóstico permite acompanhar a saúde da mãe, orientar cuidados para reduzir riscos e planejar o acompanhamento do bebê depois do nascimento.
Vale lembrar que a hepatite C tem cura. O tratamento com antivirais de ação direta apresenta taxas de cura superiores a 95%, segundo o Ministério da Saúde.
Hepatites A, D e E
Embora as hepatites B e C sejam as mais discutidas no pré-natal, outros tipos também merecem atenção.
A hepatite A está relacionada principalmente à ingestão de água e alimentos contaminados. Por isso, medidas de higiene, saneamento, consumo de água tratada e cuidado com o preparo dos alimentos são importantes, especialmente durante a gestação.
A hepatite D ocorre apenas em pessoas que já têm infecção pelo vírus da hepatite B. Por esse motivo, a vacinação contra hepatite B também ajuda a prevenir a hepatite D.
Já a hepatite E merece atenção especial em gestantes. Segundo o Ministério da Saúde, embora geralmente cause uma infecção aguda de curta duração, ela pode ser grave durante a gravidez. Gestantes com hepatite E, especialmente no segundo ou terceiro trimestre, apresentam maior risco de insuficiência hepática aguda, perda fetal e mortalidade.
Por isso, os cuidados com água, alimentos e higiene não devem ser vistos como detalhes. Eles também fazem parte da prevenção.
Quais exames de hepatite fazem parte do pré-natal?
Durante o pré-natal, a gestante deve realizar os exames solicitados pelo médico ou pela equipe de saúde. Entre eles, estão os testes para hepatites B e C.
Os principais exames relacionados às hepatites no pré-natal são:
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AgHBs ou HBsAg: identifica a presença do vírus da hepatite B e ajuda a detectar gestantes que precisam de acompanhamento específico.
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Anti-HCV: identifica contato prévio com o vírus da hepatite C.
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HCV-RNA: confirma se há infecção ativa pelo vírus da hepatite C quando o anti-HCV é positivo.
Além desses exames específicos, testes de função hepática, como TGO, TGP, GGT e bilirrubinas, podem ajudar a avaliar alterações no fígado. No entanto, eles não substituem os exames específicos para hepatites virais.
Também é importante lembrar que, segundo o Ministério da Saúde, os homens adultos, jovens e adolescentes que participam do pré-natal também têm direito a realizar exames, incluindo testes rápidos para hepatites virais B e C.
Isso reforça uma ideia importante: a prevenção não deve ser uma responsabilidade apenas da gestante. Parceiros e rede de apoio também fazem parte desse cuidado.
Cuidados no dia a dia para prevenir hepatites na gestação
Além dos exames e da vacinação, alguns hábitos ajudam a reduzir o risco de hepatites virais durante a gravidez.
Use preservativo nas relações sexuais. A hepatite B pode ser transmitida por relações sexuais sem proteção, e o preservativo também ajuda a prevenir outras infecções que podem impactar a gestação.
Não compartilhe objetos de uso pessoal. Lâminas, alicates, escovas de dente e outros itens que podem entrar em contato com sangue não devem ser compartilhados.
Tenha atenção em salões de beleza, estúdios de tatuagem e clínicas de estética. Materiais perfurocortantes devem ser esterilizados ou descartáveis.
Consuma água tratada e alimentos bem higienizados. Esse cuidado ajuda a prevenir infecções transmitidas pela via fecal-oral, como as hepatites A e E.
Mantenha a carteira de vacinação atualizada. A vacina contra hepatite B é uma proteção importante para a gestante e para o bebê.
Não pule consultas do pré-natal. O acompanhamento regular permite identificar riscos, solicitar exames no momento certo e orientar as melhores condutas.
Amamentação e hepatites: existe risco?
Essa é uma dúvida comum entre gestantes diagnosticadas com hepatites virais. No caso da hepatite B, o Ministério da Saúde informa que a infecção não é contraindicação para amamentação. Se houver fissuras no mamilo, há recomendação de suspender temporariamente a amamentação na mama afetada até a melhora das lesões.
No caso da hepatite C, o Ministério da Saúde informa que o vírus não é transmitido pelo leite materno. Ainda assim, como a transmissão da hepatite C ocorre pelo contato com sangue, é importante que situações como fissuras, sangramentos ou lesões nos mamilos sejam avaliadas pela equipe de saúde.
Cada caso deve ser acompanhado individualmente. Por isso, a gestante deve conversar com o obstetra, o pediatra e a equipe de saúde antes e depois do parto.
O papel do pré-natal na prevenção das hepatites
O pré-natal é uma das ferramentas mais importantes para proteger a saúde da mãe e do bebê. É durante esse acompanhamento que a gestante realiza exames, atualiza vacinas, recebe orientações e identifica possíveis riscos.
No caso das hepatites virais, o pré-natal permite:
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Diagnosticar infecções silenciosas ainda no início da gestação.
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Verificar a situação vacinal contra hepatite B.
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Planejar medidas para reduzir o risco de transmissão vertical.
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Orientar cuidados no parto e no pós-parto.
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Garantir acompanhamento adequado para o bebê, quando necessário.
Por isso, o Julho Amarelo reforça uma mensagem simples, mas muito importante: prevenir hepatites na gestação é cuidar de duas vidas ao mesmo tempo.
Julho Amarelo é um lembrete para se cuidar mesmo antes dos sintomas aparecerem
As hepatites virais podem ser silenciosas. Na gestação, isso significa que confiar apenas nos sintomas pode atrasar o diagnóstico e comprometer cuidados importantes.
O melhor caminho é manter o pré-natal em dia, realizar os exames solicitados, atualizar a vacinação e seguir as orientações da equipe de saúde. Quando a hepatite é identificada no momento certo, é possível agir com mais segurança para proteger a mãe e o bebê.
Neste Julho Amarelo, aproveite para revisar seus exames, conversar com seu médico e confirmar se a testagem para hepatites B e C já foi realizada no pré-natal.
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