Publicado em 08/05/2026

Quais exames ajudam a investigar a fertilidade feminina?

O Dia das Mães costuma despertar diferentes sentimentos e planos. Para algumas mulheres, é um momento de celebrar a maternidade já vivida. Para outras, representa o desejo de construir uma família no futuro. E há também quem esteja passando pela jornada de tentar engravidar, muitas vezes cercada de dúvidas, ansiedade e expectativas.

Em um momento em que as mulheres estão planejando a maternidade de maneira cada vez mais consciente, compreender a própria fertilidade se tornou parte importante do autocuidado. Dados recentes do IBGE mostram que o Brasil vive a menor taxa de fecundidade da história e que as brasileiras estão tendo filhos mais tarde. Esse movimento tem aumentado a procura por exames capazes de avaliar a saúde reprodutiva e auxiliar no planejamento gestacional.

Assim, cuidar da saúde reprodutiva é uma etapa importante do planejamento de vida. Afinal, a fertilidade feminina pode ser influenciada por diversos fatores, como alterações hormonais, condições metabólicas, idade, estilo de vida e até predisposição genética. Por isso, investigar precocemente possíveis dificuldades pode fazer diferença no acompanhamento médico e nas possibilidades de tratamento.

Os exames para investigar fertilidade feminina ajudam justamente nesse processo. Eles permitem avaliar o funcionamento hormonal, a reserva ovariana, a ovulação e outros aspectos relacionados à saúde reprodutiva. Em muitos casos, esses exames também contribuem para identificar condições silenciosas que podem dificultar a gestação.

Quando investigar a fertilidade feminina?

Nem toda dificuldade para engravidar significa infertilidade. Em muitos casos, o processo pode levar algum tempo naturalmente. Ainda assim, existem situações em que a investigação médica é recomendada.

De forma geral, a orientação costuma ser buscar avaliação especializada quando:

  • a gravidez não acontece após 12 meses de tentativas;

  • a mulher possui mais de 35 anos e tenta engravidar há mais de 6 meses;

  • há histórico de endometriose, síndrome dos ovários policísticos (SOP) ou abortos recorrentes;

  • existem alterações menstruais frequentes;

  • a paciente passou por tratamentos oncológicos;

  • existe histórico familiar de menopausa precoce ou infertilidade.

Além disso, muitas mulheres optam por realizar exames preventivamente, mesmo antes de iniciar as tentativas, como parte do planejamento gestacional. Isso acontece especialmente em casos de congelamento de óvulos, desejo de adiar a maternidade ou simplesmente para compreender melhor a própria saúde reprodutiva.

Como funciona a investigação da fertilidade feminina?

A investigação da fertilidade feminina normalmente envolve diferentes etapas. O médico avalia o histórico clínico da paciente, hábitos de vida, ciclo menstrual, sintomas associados e possíveis fatores genéticos ou hormonais.

Os exames laboratoriais têm papel importante nesse processo porque ajudam a analisar como o organismo está funcionando. Alguns avaliam a ovulação, outros investigam a reserva ovariana e há ainda exames que ajudam a identificar doenças que podem interferir na fertilidade ou na futura gestação.

Dependendo do caso, a investigação também pode incluir exames de imagem, como ultrassonografia transvaginal e histerossalpingografia. Porém, os exames laboratoriais costumam representar uma das primeiras etapas da avaliação.

Outro ponto importante é que muitos exames hormonais precisam ser realizados em dias específicos do ciclo menstrual, geralmente entre o 2º e o 5º dia após o início da menstruação. Isso ajuda a garantir resultados mais precisos e uma interpretação mais confiável.

Principais exames hormonais para investigar fertilidade feminina

Os hormônios exercem influência direta sobre o ciclo menstrual, a ovulação e o funcionamento dos ovários. Por isso, a avaliação hormonal é uma das partes mais importantes da investigação da fertilidade feminina.

Alterações hormonais podem impactar diretamente o ciclo menstrual, a ovulação e até a qualidade de vida da mulher. Em alguns casos, sinais como irregularidade menstrual, queda de cabelo, acne, cansaço excessivo e mudanças de humor podem indicar que algo não está funcionando adequadamente no organismo.

Por isso, investigar possíveis desequilíbrios hormonais faz parte da avaliação da fertilidade feminina. Se quiser aprofundar esse tema, vale conferir também este conteúdo sobre como identificar sinais de desequilíbrio hormonal.

Hormônio Anti-Mülleriano (AMH)

O exame de AMH tem ganhado destaque nos últimos anos por ajudar a avaliar a reserva ovariana da mulher. Em outras palavras, ele fornece informações sobre a quantidade estimada de folículos ovarianos disponíveis.

Uma das principais vantagens desse exame é que ele pode ser realizado em qualquer fase do ciclo menstrual, diferentemente de outros hormônios reprodutivos. Além disso, seus níveis tendem a permanecer relativamente estáveis ao longo do mês.

Entre os exames mais utilizados atualmente está o Hormônio Anti-Mülleriano (AMH), importante marcador da reserva ovariana. Ele ajuda a estimar a quantidade de folículos ovarianos disponíveis e costuma ser solicitado tanto em investigações de infertilidade quanto no planejamento gestacional. O tema é tão importante que já explicamos em detalhes aqui no blog.

O AMH costuma ser solicitado em situações como:

  • planejamento gestacional;

  • investigação de infertilidade;

  • suspeita de baixa reserva ovariana;

  • preparação para tratamentos de reprodução assistida;

  • avaliação para congelamento de óvulos.

Valores baixos podem sugerir redução da reserva ovariana, enquanto níveis muito elevados podem estar associados à síndrome dos ovários policísticos. Ainda assim, a interpretação sempre deve ser individualizada e realizada por um especialista.

FSH e LH

Os hormônios FSH (Hormônio Folículo Estimulante) e LH (Hormônio Luteinizante) ajudam a avaliar o funcionamento dos ovários e o processo de ovulação.

O FSH é responsável por estimular o crescimento dos folículos ovarianos. Quando seus níveis estão elevados no início do ciclo menstrual, isso pode indicar que os ovários estão exigindo um esforço maior para responder hormonalmente, o que pode sugerir diminuição da reserva ovariana.

Já o LH participa diretamente do processo ovulatório. O pico desse hormônio é o que desencadeia a liberação do óvulo maduro. Além disso, a relação entre LH e FSH também pode ajudar na investigação da síndrome dos ovários policísticos.

Normalmente, a coleta desses exames é realizada entre o 2º e o 5º dia do ciclo menstrual.

Estradiol e progesterona

O estradiol é o principal estrogênio feminino e participa do desenvolvimento dos folículos ovarianos. Sua dosagem ajuda a complementar a avaliação da reserva ovariana e do funcionamento hormonal. Quando o estradiol está elevado no início do ciclo, ele pode inclusive mascarar alterações no FSH.

Já a progesterona é o hormônio responsável por ajudar o organismo a se preparar para uma possível gestação. Diferentemente de outros exames hormonais, sua coleta costuma ser realizada cerca de 7 dias após a ovulação presumida, geralmente entre o 19º e o 23º dia do ciclo.

Esse exame ajuda principalmente a confirmar se houve ovulação naquele ciclo menstrual.

Prolactina

A prolactina é um hormônio relacionado à produção de leite materno, mas níveis elevados fora do período de amamentação podem interferir na ovulação e dificultar a gravidez. Em alguns casos, alterações na prolactina podem causar:

  • irregularidade menstrual;

  • ausência de menstruação;

  • dificuldade para engravidar.

Como a prolactina é sensível ao estresse e a estímulos físicos, a coleta geralmente é realizada pela manhã e em repouso.

TSH e T4 Livre

A saúde da tireoide também pode impactar diretamente a fertilidade feminina. Alterações hormonais relacionadas à tireoide podem interferir no ciclo menstrual, na ovulação e até aumentar o risco de abortamento.

Por isso, exames como TSH e T4 Livre costumam fazer parte da investigação hormonal, especialmente quando há sintomas associados ou histórico familiar.

Em mulheres que desejam engravidar, muitos especialistas consideram ideal manter o TSH abaixo de 2,5 mUI/L durante o planejamento gestacional.

Exames para investigar síndrome dos ovários policísticos

A síndrome dos ovários policísticos é uma das condições mais associadas à dificuldade para engravidar. Ela pode provocar alterações hormonais, ciclos irregulares e falhas na ovulação.

Além da avaliação clínica, alguns exames laboratoriais ajudam na investigação da SOP, como:

  • testosterona total e livre;

  • insulina;

  • glicemia;

  • hemoglobina glicada;

  • perfil lipídico;

  • DHEA-S;

  • androstenediona.

Esses exames ajudam a avaliar possíveis alterações metabólicas e hormonais frequentemente relacionadas à síndrome. Em muitos casos, o controle metabólico também contribui para melhorar a regularidade da ovulação e aumentar as chances de gestação.

Exames genéticos relacionados à fertilidade feminina

A genética também pode influenciar a fertilidade e o desenvolvimento da gestação. Em alguns casos, exames genéticos são indicados para investigar causas de infertilidade, abortos de repetição ou dificuldades reprodutivas sem causa aparente. Entre os principais exames estão:

  • cariótipo;

  • investigação de trombofilias genéticas;

  • triagem de portadores genéticos;

  • testes relacionados à coagulação sanguínea e implantação embrionária.

A investigação de trombofilias, por exemplo, pode ser recomendada em casos de perdas gestacionais recorrentes ou falhas de implantação em tratamentos de reprodução assistida.

Exames infecciosos e avaliação geral da saúde

Durante o planejamento da gravidez, também é importante avaliar doenças infecciosas que podem impactar a saúde da mãe e do bebê. Por isso, alguns exames frequentemente solicitados incluem:

  • HIV;

  • hepatites B e C;

  • sífilis;

  • toxoplasmose;

  • rubéola;

  • citomegalovírus.

Além disso, exames como hemograma, ferritina, vitamina D e avaliação metabólica também podem fazer parte da investigação da fertilidade feminina. Isso porque alterações nutricionais, inflamatórias ou metabólicas podem interferir no funcionamento hormonal e na ovulação.

Exames de imagem

Embora os exames laboratoriais sejam fundamentais, eles nem sempre fornecem todas as respostas. Em muitos casos, exames de imagem ajudam a complementar a avaliação da fertilidade feminina.

A ultrassonografia transvaginal, por exemplo, permite avaliar:

  • a anatomia do útero e dos ovários;

  • a presença de miomas, pólipos ou cistos;

  • a espessura do endométrio;

  • a contagem de folículos antrais, importante para análise da reserva ovariana.

Já a histerossalpingografia é utilizada para investigar a permeabilidade das trompas de Falópio e alterações na cavidade uterina.

Fertilidade feminina e idade: qual é a relação?

Um dos fatores mais importantes relacionados à fertilidade feminina é a idade. Com o passar do tempo, ocorre uma redução natural da quantidade e da qualidade dos óvulos.

Isso não significa que a gravidez após os 35 anos seja impossível, mas reforça a importância do acompanhamento médico e da avaliação individualizada.

Exames como o AMH ganham ainda mais relevância em casos assim, já que ajudam a compreender melhor a reserva ovariana e auxiliam no planejamento reprodutivo.

Além disso, hábitos de vida, alimentação, qualidade do sono, controle do estresse e acompanhamento preventivo também podem influenciar a saúde reprodutiva ao longo dos anos.

O cuidado com a fertilidade também faz parte do autocuidado feminino

Durante muito tempo, a fertilidade foi tratada apenas quando surgiam dificuldades para engravidar. Hoje, cada vez mais mulheres buscam compreender sua saúde reprodutiva de forma preventiva e informada.

Esse cuidado envolve conhecer o próprio corpo, acompanhar alterações hormonais, realizar exames de rotina e conversar com profissionais especializados sempre que necessário.

Neste Dia das Mães, vale lembrar que cada jornada da maternidade acontece de maneira única. Para algumas mulheres, o sonho da gravidez está começando agora. Para outras, o foco pode ser apenas preservar possibilidades e cuidar da própria saúde reprodutiva com mais atenção.

Ter acesso à informação, prevenção e diagnóstico pode tornar esse caminho mais seguro e tranquilo. E os exames laboratoriais desempenham um papel importante nesse processo, ajudando a identificar alterações precocemente e orientando decisões com mais segurança.

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