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Trombofilia na gravidez: sintomas, riscos e tratamento para uma gestação segura
Publicado em 14/11/2025
A gravidez é um período de grandes transformações e expectativas. Para garantir a saúde da mãe e do bebê, alguns cuidados especiais são necessários, especialmente quando há condições específicas que exigem acompanhamento mais próximo, como a trombofilia.
Receber esse diagnóstico ou desconfiar de sua presença pode gerar preocupação, mas a informação é a principal aliada. Entender o que é a trombofilia, seus riscos e as formas de tratamento é essencial para uma gestação tranquila e segura.
Neste artigo, você vai saber o que é a trombofilia, como ela afeta a gravidez, quais são os sinais de alerta e de que forma o tratamento adequado permite uma gestação saudável e protegida.
O que é trombofilia e como afeta a gravidez?
A trombofilia é uma condição em que o sangue apresenta maior tendência à formação de coágulos (trombos). É como se o sistema natural de coagulação do corpo, responsável por estancar sangramentos, funcionasse de maneira mais acelerada do que o necessário.
Durante a gravidez, esse risco aumenta de forma natural, pois o corpo da mulher passa por mudanças que ajudam a evitar hemorragias no parto. No entanto, em quem tem trombofilia, esse mecanismo pode ser intensificado, elevando as chances de complicações e exigindo acompanhamento médico especializado.
As trombofilias podem ser de dois tipos principais:
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Hereditárias: causadas por mutações genéticas, como o Fator V de Leiden ou a Mutação da Protrombina G20210A.
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Adquiridas: desenvolvidas ao longo da vida, sendo a Síndrome Antifosfolípide (SAF) o exemplo mais conhecido.
Durante a gestação, a trombofilia pode representar riscos tanto para a mãe quanto para o bebê. Os coágulos podem prejudicar o fluxo de sangue para a placenta, que é o órgão responsável por levar oxigênio e nutrientes ao feto.
Entre as principais complicações associadas estão:
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Trombose venosa profunda (TVP) e embolia pulmonar (EP): coágulos formados nas pernas que podem se deslocar até os pulmões, representando risco grave para a gestante.
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Abortos espontâneos recorrentes, especialmente após a 10ª semana.
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Restrição de crescimento intrauterino (RCIU): quando o bebê não cresce no ritmo esperado.
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Descolamento prematuro de placenta: separação da placenta da parede do útero antes do parto.
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Pré-eclâmpsia: aumento da pressão arterial associado à presença de proteína na urina.
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Nascimento prematuro, antes da 37ª semana.
É importante ressaltar que ter trombofilia não significa que essas complicações vão acontecer, mas que os riscos são maiores. Por isso, o acompanhamento médico contínuo é fundamental para a prevenção e o controle.
Sintomas e sinais de alerta da trombofilia na gravidez
Muitas mulheres com trombofilia são assintomáticas, e o diagnóstico só é feito após um evento trombótico ou complicações gestacionais. Ainda assim, é importante estar atenta a sinais que podem indicar a formação de um coágulo:
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Inchaço, dor, calor e vermelhidão em uma das pernas, principalmente na panturrilha.
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Falta de ar súbita e inexplicável.
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Dor no peito, especialmente ao respirar fundo.
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Tosse com presença de sangue.
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Palpitações ou batimentos cardíacos acelerados.
Além desses sintomas, o histórico obstétrico também pode ser um indicativo importante. Mulheres que tiveram dois ou mais abortos espontâneos, morte fetal intrauterina sem causa aparente ou parto prematuro associado a pré-eclâmpsia devem conversar com o médico sobre a possibilidade de investigação.
Diagnóstico e tratamento da trombofilia na gravidez
O diagnóstico é baseado na análise do histórico pessoal e familiar, além da realização de exames laboratoriais específicos.
Esses exames de sangue identificam mutações genéticas, como o Fator V de Leiden e a Mutação do gene da Protrombina, além de anticorpos ligados à Síndrome Antifosfolípide. O ginecologista ou o hematologista avaliam o momento mais adequado para investigar, que pode ser antes ou durante a gestação.
Nem toda alteração genética implica risco real, por isso o diagnóstico deve ser sempre interpretado por um especialista, considerando todo o contexto clínico da paciente.
O tratamento da trombofilia na gravidez é seguro e eficaz. O protocolo mais utilizado é medicamentoso e utiliza um anticoagulante injetável que não atravessa a placenta e, portanto, não oferece risco ao bebê. Os principais benefícios do tratamento são:
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Prevenir a formação de coágulos na mãe.
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Melhorar o fluxo sanguíneo entre a placenta e o bebê.
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Reduzir o risco de aborto, pré-eclâmpsia e restrição de crescimento.
Em alguns casos, o médico também pode associar doses baixas de ácido acetilsalicílico (AAS) para potencializar os efeitos do tratamento, principalmente quando há síndrome antifosfolípide.
Durante o pré-natal, o acompanhamento é mais próximo, com ultrassons frequentes para avaliar o desenvolvimento fetal e o fluxo sanguíneo no cordão umbilical e nas artérias uterinas.
Além do tratamento medicamentoso, algumas medidas ajudam a proteger a saúde da mãe e do bebê:
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Manter hidratação adequada.
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Evitar longos períodos em pé ou sentada.
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Fazer atividades físicas leves, conforme orientação médica.
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Ter uma alimentação equilibrada, com foco em frutas, verduras e alimentos ricos em ômega-3.
O acompanhamento deve continuar mesmo após o parto, já que o risco de trombose permanece elevado nas primeiras seis semanas do puerpério.
Por fim, vale reforçar que receber o diagnóstico de trombofilia pode gerar medo, mas ele também representa uma oportunidade de cuidar melhor da saúde e garantir uma gestação segura. Com o tratamento correto, o acompanhamento médico especializado e o pré-natal adequado, a maioria das mulheres com trombofilia tem gravidezes bem-sucedidas e bebês saudáveis.
A informação é o primeiro passo para o controle. Converse com seu obstetra e seu hematologista, esclareça dúvidas e siga as recomendações de acompanhamento. Cuidar da sua saúde é um gesto de amor, por você e pelo seu bebê.
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