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Esporotricose: entenda a doença que afeta humanos e animais
Publicado em 19/09/2025
A esporotricose é uma micose subcutânea causada por fungos do complexo Sporothrix, que afeta tanto humanos quanto animais. No Brasil, a espécie mais comum é a Sporothrix brasiliensis, altamente associada à transmissão por gatos. Popularmente chamada de “doença do jardineiro” ou “doença do gato”, essa infecção ganhou destaque por seu avanço em áreas urbanas, onde os felinos desempenham um papel importante na disseminação do fungo.
Embora seja uma doença curável, a esporotricose se tornou um problema de saúde pública, especialmente nas regiões metropolitanas. De acordo com o Jornal da USP (2024), a doença já se espalhou por 26 dos 27 estados brasileiros, com o Rio de Janeiro sendo considerado o epicentro da epidemia. Os números são alarmantes: em gatos, os casos notificados saltaram de 1.412 em 2022 para 3.290 em 2023, e em humanos foram registrados 1.239 casos em 2023, com 945 novos casos notificados apenas no primeiro semestre de 2024.
Esses dados mostram que a esporotricose ultrapassou a condição de uma micose rara e se consolidou como uma zoonose hiperendêmica no Brasil. Neste guia completo, você vai descobrir como a doença é transmitida, quais sinais devem chamar a sua atenção, como funciona o diagnóstico e o tratamento, além dos principais cuidados que podem ajudar a proteger você, sua família e seu animal de estimação.
Esporotricose: como a doença é transmitida?
A esporotricose pode ser adquirida de diferentes formas, e entender esses caminhos de transmissão é fundamental para se proteger. A mais comum é a transmissão por animais (zoonótica), em especial pelos gatos infectados, que podem transmitir o fungo através de arranhões, mordidas e até mesmo pelo contato com secreções de feridas abertas. Em Cuiabá (MT), por exemplo, já foram confirmados cinco casos humanos em 2025, além de 21 notificações em gatos e cães (10 confirmados e 11 em investigação), superando os números do ano anterior e acendendo um alerta para o avanço da doença na região.
Outra forma possível é a transmissão ambiental, que ocorre quando o fungo presente no solo, em palhas, espinhos ou matéria orgânica em decomposição entra em contato com a pele por meio de cortes ou ferimentos. Essa é a razão de a doença também ser conhecida como “doença do jardineiro”, já que o contato direto com plantas e terra aumenta o risco de infecção.
Existe ainda a transmissão por inalação, considerada rara, mas possível. Nesse caso, os esporos do fungo são inalados, podendo causar a forma pulmonar da doença. Importante destacar que a esporotricose não é transmitida de pessoa para pessoa, o que diferencia essa micose de muitas outras doenças infecciosas.
Sintomas de esporotricose em humanos: quando procurar ajuda?
Nos humanos, os sintomas podem variar conforme a forma clínica da doença, mas a mais comum é a espórtricotricose cutânea. Ela costuma começar com um pequeno caroço vermelho, geralmente indolor, que com o tempo se transforma em uma ferida ulcerada. Essas lesões podem evoluir para nódulos que se espalham ao longo dos vasos linfáticos (linfangite), criando uma sequência de feridas que demoram a cicatrizar e podem causar desconforto significativo. Estudos apontam que a forma cutânea é a predominante, representando entre 46% e 92% dos casos, segundo o periódico Anais Brasileiros de Dermatologia (2021).
Em casos raros, a doença pode assumir a forma pulmonar, adquirida pela inalação dos esporos. Nesses pacientes, os sintomas lembram os de tuberculose, com tosse persistente, febre baixa, fadiga e falta de ar. Já a forma disseminada, considerada a mais grave, ocorre quando o fungo se espalha para outros órgãos, como ossos, articulações e sistema nervoso central. Essa manifestação é mais comum em pessoas imunodeprimidas. Dados publicados na SciELO (2019) mostram que, entre 1992 e 2015, houve 65 óbitos relacionados à esporotricose no Brasil, sendo que em 40% dos casos havia coinfecção pelo HIV, o que reforça o risco em indivíduos com baixa imunidade.
Qualquer lesão cutânea que não cicatrize em poucas semanas deve ser avaliada por um médico, especialmente se houver histórico de contato com gatos ou com atividades de jardinagem. O diagnóstico precoce aumenta significativamente as chances de recuperação rápida e eficaz.
Esporotricose em gatos: os sinais que você não deve ignorar
Os gatos são os principais transmissores urbanos da esporotricose e, por isso, identificar seus sintomas é fundamental para interromper a cadeia de transmissão. As manifestações clínicas em felinos são bastante características, começando com lesões ulceradas que não cicatrizam e podem sangrar com facilidade. Essas feridas geralmente aparecem no rosto, nas patas e na cauda, mas podem se espalhar pelo corpo se não houver tratamento.
Além das lesões, é comum observar perda de apetite, apatia e emagrecimento progressivo. Muitos gatos também apresentam secreção nasal e espirros frequentes, o que facilita ainda mais a disseminação do fungo, já que essas secreções são altamente contagiosas.
Vale lembrar que gatos saudáveis não transmitem a doença. O contágio só ocorre por meio de animais infectados, e o diagnóstico precoce é essencial para evitar complicações. Se notar qualquer ferida suspeita em seu gato, procure imediatamente um médico veterinário. O tratamento, quando iniciado cedo, aumenta muito as chances de recuperação do animal.
Diagnóstico: como confirmar a esporotricose
O diagnóstico da esporotricose é feito por profissionais de saúde humana ou veterinária e combina avaliação clínica com exames laboratoriais. O primeiro passo é a análise das lesões e do histórico do paciente ou do animal. Em seguida, podem ser solicitados exames complementares para confirmar a presença do fungo.
Entre os métodos mais comuns estão o exame micológico, que consiste em cultivar amostras coletadas das lesões para identificar o fungo, e a biópsia, que permite avaliar fragmentos de tecido lesionado. Em centros especializados, também pode ser realizado o teste molecular (PCR), uma técnica que detecta o DNA do fungo com alto grau de precisão, tornando o diagnóstico ainda mais confiável.
O diagnóstico precoce não só facilita o tratamento como também reduz o risco de complicações e a possibilidade de transmissão para outras pessoas e animais.
Tratamento da esporotricose: o que esperar
A esporotricose é uma doença curável, mas o tratamento costuma ser longo e exige disciplina. A duração média é de 3 a 6 meses, podendo se estender em casos mais graves. É essencial que o paciente ou tutor do animal siga as orientações médicas ou veterinárias e não interrompa o uso dos medicamentos antes do tempo indicado.
Em humanos, o iodeto de potássio em solução líquida é utilizado em alguns casos específicos, mas o antifúngico mais prescrito é o itraconazol, administrado por via oral. Situações resistentes ou disseminadas podem exigir medicamentos mais fortes e acompanhamento especializado.
Nos gatos, o tratamento também é feito com antifúngicos, principalmente itraconazol. Durante esse período, o animal deve permanecer dentro de casa, em isolamento relativo, para evitar a transmissão. É fundamental reforçar que não se deve abandonar ou sacrificar o animal: a maioria dos casos responde bem ao tratamento quando iniciado precocemente.
Como prevenir a esporotricose: cuidados indispensáveis
A prevenção da esporotricose envolve medidas de proteção pessoal, cuidados com os animais e conscientização comunitária. Para quem tem gatos, a recomendação é mantê-los dentro de casa, em ambiente seguro, evitando o contato com outros animais. A castração também ajuda a reduzir fugas e brigas, diminuindo o risco de exposição ao fungo.
Se um gato apresentar sintomas suspeitos, como feridas que não cicatrizam, secreções ou emagrecimento, ele deve ser levado imediatamente ao veterinário. O tratamento precoce protege não só o animal, mas também a família e a comunidade. Ao lidar com gatos doentes, sempre utilize luvas para evitar o contato direto com as feridas.
Para quem trabalha em contato com o solo, plantas e matéria orgânica, é fundamental utilizar luvas, botas e roupas de proteção. Essas medidas simples, somadas à atenção às lesões que não cicatrizam, reduzem consideravelmente o risco de infecção. Outro ponto importante é não abandonar animais doentes: o abandono contribui para a disseminação da epidemia. Em vez disso, procure órgãos públicos de controle zoonótico da sua cidade para receber orientação.
Informação é a melhor prevenção
A esporotricose é uma zoonose de grande impacto no Brasil e exige atenção tanto de médicos e veterinários quanto da população em geral. Apesar de grave, é totalmente tratável quando diagnosticada cedo e acompanhada de forma adequada. Proteger os animais, adotar medidas de prevenção e buscar atendimento médico diante de sinais suspeitos são passos fundamentais para interromper a cadeia de transmissão.
Ao cuidar da saúde dos seus gatos, você também está cuidando da sua família e da sua comunidade. Informação, prevenção e responsabilidade são as principais ferramentas para conter a esporotricose e evitar que ela continue se espalhando nas cidades brasileiras.
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