Publicado em 23/05/2025

Nem sempre é herpes: conheça 6 doenças que também provocam bolhas

Quando bolhas aparecem na pele, é comum associá-las automaticamente à herpes, especialmente pelo fato de essa infecção viral ser bastante conhecida e recorrente. No entanto, nem toda bolha é sinônimo de herpes. Existem diversas outras doenças infecciosas, inflamatórias e autoimunes que também têm esse sintoma como manifestação clínica, exigindo atenção para que o diagnóstico seja feito de forma correta.

Reconhecer as diferentes causas de bolhas na pele é fundamental para evitar complicações e iniciar o tratamento adequado. Algumas dessas condições são contagiosas e exigem isolamento, enquanto outras estão relacionadas a reações alérgicas, doenças autoimunes ou efeitos adversos a medicamentos. O aspecto das bolhas, sua localização no corpo, os sintomas associados e o histórico do paciente são elementos essenciais na investigação médica.

Neste artigo, você vai conhecer doenças além da herpes que causam bolhas na pele, entender como elas se manifestam e quais são os sinais de alerta que merecem atenção. Se você já percebeu bolhas incomuns em si ou em alguém próximo, este conteúdo pode ajudar a esclarecer as possíveis causas e a importância de buscar orientação médica.

1. Impetigo

O impetigo é uma infecção bacteriana superficial da pele, altamente contagiosa, que acomete principalmente crianças em idade pré-escolar, mas pode ocorrer em qualquer fase da vida. Ele é provocado pelas bactérias Staphylococcus aureus e Streptococcus pyogenes, que penetram na pele por pequenas lesões ou feridas.

As bolhas geralmente começam como manchas vermelhas que evoluem para pequenas vesículas com líquido amarelado. Após romperem, formam crostas espessas com aspecto de “mel”, especialmente ao redor do nariz, boca e mãos. A coceira é frequente, o que facilita a propagação da infecção pelo contato com outras áreas do corpo ou com outras pessoas.

O tratamento do impetigo envolve antibióticos tópicos (como a mupirocina) e, em casos mais extensos, antibióticos orais. Manter a pele limpa e evitar coçar as lesões são medidas importantes para o controle da doença.

2. Varicela (Catapora)

A varicela, popularmente conhecida como catapora, é uma doença viral altamente contagiosa causada pelo vírus Varicela-Zoster. Afeta principalmente crianças, mas adultos também podem contrair a infecção, muitas vezes com maior risco de complicações.

As bolhas da varicela são pequenas, redondas, cheias de líquido claro e surgem sobre uma base avermelhada. Elas aparecem inicialmente no tronco e rosto, mas rapidamente se espalham para o resto do corpo. As lesões passam por diferentes estágios (bolha, ruptura, crosta) e convivem na pele ao mesmo tempo. A coceira intensa é uma das principais características.

O tratamento costuma ser sintomático, com o uso de antitérmicos e loções para aliviar a coceira. Em casos graves ou em grupos de risco (gestantes, imunossuprimidos), o médico pode indicar antivirais. A vacinação é a principal forma de prevenção.

3. Dermatite de contato

A dermatite de contato é uma reação inflamatória da pele causada pelo contato com substâncias irritantes ou alérgenos. Ela pode ser provocada por cosméticos, metais (como o níquel), produtos de limpeza, plantas (como a hera venenosa) e até roupas com certos corantes.

As bolhas aparecem em áreas diretamente expostas à substância agressora, geralmente acompanhadas de vermelhidão, coceira intensa e descamação. Em alguns casos, a reação é quase imediata, enquanto em outros pode levar dias para se manifestar.

O tratamento envolve identificar e evitar o agente causador, além do uso de medicamentos tópicos, como cremes com corticoide, e, se necessário, antialérgicos. Em casos mais severos, o médico pode prescrever medicamentos orais.

4. Pênfigo vulgar

O pênfigo vulgar é uma doença autoimune rara e potencialmente grave, na qual o sistema imunológico ataca componentes da pele responsáveis pela união entre as células. Isso leva ao surgimento de bolhas frágeis e dolorosas que se rompem com facilidade, deixando feridas expostas.

As lesões geralmente começam na mucosa oral, dificultando a alimentação, e depois se espalham para o tronco, couro cabeludo e membros. Diferentemente de outras doenças, as bolhas do pênfigo não coçam, mas causam dor intensa e risco de infecção secundária.

O tratamento é prolongado e envolve o uso de imunossupressores, corticosteroides e, em alguns casos, terapias biológicas. A doença exige acompanhamento com dermatologista e pode necessitar de suporte hospitalar em casos críticos.

5. Herpes-zóster (cobreiro)

O herpes-zóster, também conhecido como cobreiro, é causado pela reativação do vírus da catapora (Varicela-Zoster), que permanece latente no organismo após a infecção inicial. Ele é mais comum em pessoas com imunidade reduzida, como idosos e pacientes imunossuprimidos.

As bolhas aparecem em agrupamentos lineares ou em faixa, geralmente em apenas um lado do corpo, seguindo os nervos da pele. Elas são precedidas por dor, ardência e sensibilidade local. Após a fase ativa, o paciente pode desenvolver neuralgia pós-herpética, uma dor crônica que persiste mesmo após a cicatrização.

O uso precoce de antivirais (como o aciclovir) ajuda a reduzir a duração da doença e a intensidade dos sintomas. A vacina contra o herpes-zóster está disponível para adultos com mais de 50 anos e é eficaz na prevenção da condição.

6. Síndrome de Stevens-Johnson

A síndrome de Stevens-Johnson é uma reação de hipersensibilidade grave e potencialmente fatal, normalmente causada por medicamentos (como antibióticos, anticonvulsivantes ou anti-inflamatórios) ou por infecções virais.

A doença começa com sintomas semelhantes aos da gripe, seguidos por erupções cutâneas dolorosas que evoluem para bolhas extensas. A pele pode se desprender em grandes áreas, como em uma queimadura. As mucosas dos olhos, boca e genitais também são afetadas.

Trata-se de uma emergência médica. O paciente deve ser hospitalizado imediatamente, geralmente em unidade de terapia intensiva ou centro de queimados. O tratamento envolve a interrupção do agente causador, suporte clínico e uso de imunoglobulinas ou corticosteroides, dependendo do caso.

Como descobrir a causa das bolhas no meu corpo?

A única forma segura de identificar a causa das bolhas na pele é por meio de uma consulta médica, associada à realização de exames laboratoriais. Isso é especialmente importante quando os sintomas podem indicar diferentes condições, já que muitas doenças apresentam sinais semelhantes.

No caso do impetigo, a cultura da secreção das lesões permite identificar a bactéria causadora, orientando o uso do antibiótico mais eficaz. Para varicela e herpes-zóster, exames sorológicos (IgM e IgG para o vírus Varicela-Zoster) ou testes de PCR são úteis para confirmar a presença do vírus ativo. Já na dermatite de contato, os testes de contato (patch test) ajudam a identificar substâncias alergênicas específicas que provocam a reação.

No pênfigo vulgar, os principais exames são a biópsia da pele e a imunofluorescência direta, que detectam autoanticorpos característicos da doença. Já a síndrome de Stevens-Johnson requer uma avaliação clínica cuidadosa, mas exames como hemograma completo, testes de função hepática e renal, além da biópsia de pele, são importantes para avaliar a gravidade e guiar o tratamento.

Em todos os casos, o diagnóstico precoce e o acompanhamento profissional são fundamentais para distinguir essas doenças da herpes e iniciar o tratamento adequado de forma segura e eficaz.

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