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Como as mudanças hormonais podem afetar a saúde mental durante a adolescência?
Publicado em 09/05/2025
A adolescência é uma das fases mais intensas da vida humana. Entre 10 e 19 anos, o corpo passa por uma verdadeira revolução fisiológica e emocional. Essas transformações não afetam apenas o físico, mas também têm impacto profundo na saúde mental dos adolescentes.
As alterações hormonais desempenham um papel central nesse processo. Entender essa relação é fundamental para pais, educadores e profissionais de saúde que desejam oferecer apoio efetivo nessa fase de tantas descobertas e desafios.
O que acontece com os hormônios na adolescência?
Hormônios são substâncias químicas produzidas por glândulas do sistema endócrino que atuam como mensageiros no corpo. Eles são liberados na corrente sanguínea e ajudam a controlar e regular diversas funções do organismo, como crescimento, metabolismo, sono, humor, reprodução e desenvolvimento sexual. Cada hormônio tem uma função específica e age em órgãos ou tecidos-alvo.
Durante a puberdade, o corpo começa a produzir uma quantidade significativamente maior de hormônios sexuais. Nos meninos, isso inclui principalmente a testosterona. Nas meninas, estrogênio e progesterona ganham destaque. Esses hormônios não afetam apenas o crescimento físico, como o desenvolvimento de pelos, aumento da massa muscular e alterações na voz. Eles também afetam áreas do cérebro ligadas às emoções e ao comportamento.
Estudos mostram que o córtex pré-frontal, região do cérebro responsável pelo controle de impulsos e tomada de decisões, ainda está em desenvolvimento nessa fase. Enquanto isso, a amígdala, ligada às emoções, está em plena atividade. Essa diferença no amadurecimento cerebral contribui para o comportamento mais impulsivo e emocional típico da adolescência.
Como os hormônios influenciam a saúde mental?
As alterações hormonais podem afetar a produção e o funcionamento de neurotransmissores como a serotonina e a dopamina, essenciais para o equilíbrio do humor e da motivação. Quando esses sistemas entram em desequilíbrio, podem surgir sintomas como ansiedade, irritabilidade, tristeza intensa e até depressão.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a depressão é uma das principais causas de doença e incapacidade entre adolescentes. Cerca de um em cada sete jovens de 10 a 19 anos sofre de um transtorno mental, o que representa 15% da quantidade total de doenças nessa faixa etária em todo o planeta.
Entre os transtornos mentais mais comuns que podem se manifestar ou se agravar na adolescência, destacam-se:
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Ansiedade generalizada: preocupação excessiva com o futuro, escola, relacionamentos ou aparência.
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Transtorno depressivo maior: tristeza profunda, perda de interesse por atividades e isolamento social.
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Transtorno de humor bipolar: variações extremas de humor que vão da euforia à depressão.
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Transtornos alimentares: como anorexia, bulimia e compulsão alimentar, frequentemente associados à autoimagem e autoestima.
Essa realidade evidencia a necessidade de atenção redobrada à saúde mental nessa faixa etária.
Quais são os principais sinais de alerta?
Mudanças de comportamento são comuns na adolescência, mas é importante ficar atento a sinais persistentes, como:
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Alterações bruscas de humor
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Isolamento social frequente
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Irritabilidade constante
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Queda no rendimento escolar
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Mudanças no apetite ou no sono
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Falas sobre desesperança ou desejo de desaparecer
Caso esses sintomas permaneçam por mais de duas semanas, o ideal é procurar ajuda de um profissional de saúde mental. O suporte emocional do ambiente familiar e escolar é um fator protetor essencial. O diálogo aberto, a escuta ativa e o acolhimento sem julgamento ajudam o adolescente a expressar seus sentimentos e buscar ajuda quando necessário.
É importante reforçar que o sofrimento intenso e contínuo não deve ser normalizado. Psicólogos, psiquiatras e terapeutas ocupacionais especializados em adolescentes estão preparados para oferecer o suporte necessário, utilizando abordagens como a terapia cognitivo-comportamental, a psicoterapia e, em alguns casos, o tratamento medicamentoso.
No Brasil, é possível buscar atendimento gratuito em Centros de Atenção Psicossocial Infantojuvenis (CAPSi) do SUS. Também existem serviços de apoio emocional como o CVV – Centro de Valorização da Vida, que oferece atendimento 24h.
Embora os transtornos mentais não sejam diagnosticados exclusivamente por exames laboratoriais, alguns testes podem auxiliar no diagnóstico diferencial, monitoramento de tratamentos e exclusão de causas orgânicas que afetam a saúde mental de adolescentes. Esses exames ajudam a detectar alterações hormonais, inflamatórias, metabólicas ou neurológicas que podem estar associadas a sintomas psiquiátricos. Alguns exemplos são:
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TSH e T4 livre: avaliam a função da tireoide (hipotireoidismo e hipertireoidismo podem causar sintomas depressivos ou ansiosos).
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Cortisol: níveis alterados podem estar ligados a estresse crônico, ansiedade ou depressão.
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Testosterona, estrogênio e progesterona: úteis em casos com sintomas emocionais associados à puberdade.
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Hemograma completo: pode indicar anemia ou infecções.
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Vitamina B12 e folato: baixos níveis podem contribuir para depressão e problemas cognitivos.
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Vitamina D: sua deficiência tem sido associada a maior risco de depressão.
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Glicemia e perfil lipídico: monitoram efeitos de medicamentos psiquiátricos, como antipsicóticos.
As mudanças hormonais durante a adolescência são naturais, mas seus impactos na saúde mental não devem ser ignorados. Informação, acolhimento e suporte adequado são as melhores formas de atravessar esse período com mais equilíbrio. Investir em saúde mental desde cedo é cuidar do futuro emocional e social de uma geração inteira.
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